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Brasil — Brasão de Armas e Bandeira Nacional

Os símbolos nacionais do Brasil nasceram em um único momento republicano — novembro de 1889 — mas as cores que os emolduram vêm do Império. A bandeira verde e amarela conservou o losango da monarquia de 1822 e sobre ele aplicou uma esfera celeste reproduzindo o céu do Rio de Janeiro na manhã da Proclamação da República, atravessada pelo lema comtiano Ordem e Progresso. O brasão de armas, desenhado nas mesmas semanas, contornou o novo campo estelar com ramos de café e fumo — as duas culturas que sustentaram o Brasil oitocentista.

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Em síntese

PaísRepública Federativa do Brasil
Brasão adotado19 de novembro de 1889 (Decreto n.º 4 do Governo Provisório); forma atual fixada pela Lei n.º 5.700 de 1.º de setembro de 1971
Bandeira adotada19 de novembro de 1889, quatro dias após a Proclamação da República
Autores da bandeiraRaimundo Teixeira Mendes, Miguel Lemos, Manuel Pereira Reis, Décio Villares
CoresVerde, ouro (amarelo), azul, branco
LemaOrdem e Progresso
Número de estrelas27 (26 estados + Distrito Federal)

Bandeira Nacional

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Bandeira do Império do Brasil (1822): campo verde, losango de ouro e as armas imperiais coroadas
1822
O Império do Brasil

Desenhada por Jean-Baptiste Debret e adotada logo após a Independência, a bandeira imperial uniu o verde da Casa de Bragança e o amarelo da Casa de Habsburgo-Lorena num losango. Ao centro, as armas imperiais: a esfera armilar, a cruz da Ordem de Cristo, a coroa e um anel de estrelas.

Campo verde, losango de ouro e as armas imperiais coroadas.
Bandeira provisória de 1889: treze listras verdes e amarelas com um cantão azul estrelado
15–19 nov. 1889
A bandeira provisória

Na manhã da Proclamação da República hasteou-se uma bandeira à moda dos Estados Unidos: treze listras verdes e amarelas e um cantão azul com estrelas. Durou apenas quatro dias — os positivistas acharam humilhante copiar o pavilhão norte-americano.

Treze listras verde-amarelas e um cantão azul estrelado.
Bandeira atual do Brasil: losango de ouro e esfera celeste azul com a divisa «Ordem e Progresso»
1889 → hoje
A bandeira atual

O Decreto n.º 4, de 19 de novembro de 1889, manteve o verde e o losango do Império — sinal de continuidade — mas trocou o brasão imperial por uma esfera celeste com o céu do Rio em 15 de novembro de 1889 e a divisa «Ordem e Progresso».

Losango de ouro, esfera celeste azul e o lema «Ordem e Progresso».

A Herança Imperial de 1822

A tradição verde-amarela do Brasil não começa com a República, mas com o Império. Quando D. Pedro I proclamou a Independência às margens do Ipiranga em 7 de setembro de 1822 — o lendário Grito do Ipiranga — o pintor da Corte Jean-Baptiste Debret desenhou uma bandeira imperial: campo verde com um losango de ouro, e ao centro o escudo das armas imperiais.

As cores eram dinásticas, não territoriais:

  • Verde — a cor pessoal da Casa de Bragança, a casa real portuguesa de que descendia D. Pedro.
  • Amarelo (losango de ouro) — a cor da Casa de Habsburgo-Lorena, a dinastia de sua esposa, a imperatriz D. Maria Leopoldina, filha do imperador Francisco I da Áustria.

O losango (forma rômbica) inspirou-se no estilo heráldico napoleônico, então prestigiado em toda a Europa. Diferentemente do que costumam dizer, o verde nada tinha a ver com as matas e o amarelo nada tinha a ver com o ouro de Minas Gerais — essa releitura naturalista só apareceria com a República, em 1889.

A Bandeira da Proclamação e a Bandeira Republicana

Na manhã de 15 de novembro de 1889 hastearam-se, na verdade, duas bandeiras distintas, que se confundem com frequência. A do Clube Republicano Lopes Trovão, erguida por José do Patrocínio na Câmara Municipal, tinha 13 faixas verdes e amarelas e um quadrilátero negro com quatro grupos de cinco estrelas. A que serviu de bandeira oficial da República durante quatro dias foi a de Ruy Barbosa, inspirada na primeira mas com o quadrilátero azul e mais estrelas, chamada «Estados Unidos do Brasil».

Apoiados por Benjamin Constant Botelho de Magalhães, ministro da Guerra e principal teórico positivista do governo, Teixeira Mendes e Miguel Lemos apresentaram um projeto alternativo: conservar o campo verde e o losango amarelo da bandeira imperial (sinalizando continuidade territorial e patriótica) mas substituir o brasão imperial pela esfera celeste com as estrelas da federação e o lema positivista.

O Decreto n.º 4 de 19 de novembro de 1889 oficializou o projeto. A bandeira de Ruy Barbosa foi descartada — diziam os positivistas que copiar a bandeira norte-americana era humilhante para uma nação independente.

A Equipe Positivista

O desenho foi obra de quatro intelectuais positivistas, todos ligados à Igreja Positivista do Brasil:

  • Raimundo Teixeira Mendes — engenheiro maranhense, apóstolo da Igreja Positivista do Brasil; autor da proposta original
  • Miguel Lemos — discípulo direto de Pierre Laffitte (sucessor de Comte em Paris); primeiro chefe da Igreja Positivista do Brasil
  • Manuel Pereira Reis — astrônomo do Observatório Nacional, responsável por reconstruir o mapa celeste de 15 de novembro
  • Décio Villares — pintor formado em Paris, que executou o desenho definitivo

A Esfera Celeste e o Céu de 15 de Novembro

O círculo azul é uma esfera celeste — o céu do Rio de Janeiro em 15 de novembro de 1889, às 08h30 da manhã (doze horas siderais), momento em que o gabinete imperial foi formalmente deposto. Um ponto escapa quase sempre, e a lei é explícita quanto a ele: as estrelas devem ser consideradas como vistas por um observador situado fora da esfera celeste, e não a partir do chão carioca. O céu da bandeira está, portanto, espelhado em relação ao que se via naquela manhã. Pereira Reis calculou o padrão exato das estrelas reconstruindo a hora sideral local nessa manhã.

Constelações e estrelas representadas: o Cruzeiro do Sul, Sigma Octantis, o Cão Maior, Prócion (Cão Menor), Canopo (Carina), Spica (Virgem), a Hidra, o Triângulo Austral e o Escorpião. Cada estrela corresponde a uma unidade federativa — o Acre, por exemplo, é Gamma Hydrae. A semelhança com o céu real é apenas aproximada: constelações brilhantes como o Centauro nem aparecem.

Sigma Octantis e Spica

Sigma Octantis, a estrela do Polo Sul Celeste, representa o Distrito Federal. É pequena, mas todas as outras giram em torno dela: a sua posição única no céu austral simboliza a estabilidade da capital na União.

Spica (Alfa da Virgem) é a única estrela colocada acima da faixa branca com o lema. Representa o Pará e a parte do território brasileiro situada no hemisfério Norte.

Como o céu é representado «do lado de dentro» (na perspectiva do observador, e não na convenção astronômica usual de fora da esfera), as estrelas aparecem na bandeira como espelho do céu real — o que muitas vezes confunde quem tenta identificá-las.

Ordem e Progresso — A Influência de Auguste Comte

A faixa branca que atravessa a esfera traz o lema ORDEM E PROGRESSO em letras verdes. Trata-se de uma versão reduzida da célebre fórmula do filósofo francês Auguste Comte (1798–1857), fundador do positivismo:

L'amour pour principe et l'ordre pour base ; le progrès pour but.
(O amor por princípio e a ordem por base; o progresso por fim.)

O positivismo brasileiro foi um movimento intelectual desproporcionalmente influente nas décadas de 1870–1890 — bem mais do que na própria França de Comte. Os seus adeptos dominaram o Apostolado Positivista do Rio de Janeiro, a Escola Militar da Praia Vermelha, onde ensinava Benjamin Constant Botelho de Magalhães, e a engenharia republicana. A escolha do lema foi uma profissão pública de fé positivista — e uma laicização deliberada. Não substituiu lema imperial algum: as armas do Império não traziam divisa. Independência ou Morte, frequentemente citada como se o fosse, é o grito do Ipiranga, nunca uma legenda inscrita no escudo imperial.

O historiador José Murilo de Carvalho mostrou, em A Formação das Almas (1990), como o positivismo serviu de cimento ideológico à República nascente — fornecendo símbolos «científicos» que dispensavam a tradição monárquica e religiosa, mas que ainda assim mantinham um caráter sagrado.

Brasão de Armas

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Armas do Reino do Brasil: esfera armilar de ouro em campo azul
1816
O Reino do Brasil
Em campo azul, uma esfera armilar de ouro.

Em 16 de dezembro de 1815 o Estado do Brasil foi elevado à categoria de reino, para que fosse juridicamente possível a sua união política com o Reino de Portugal e dos Algarves. A carta de lei de 13 de maio de 1816 deu-lhe armas: «que o Reino do Brazil tenha por Armas uma esphera armilar de ouro em campo azul». A esfera armilar já fora dada ao Brasil em 1645: D. João IV, depois de elevar o Brasil à categoria de Principado, deu-lhe como armas uma esfera armilar manuelina, usada em campo branco como bandeira particular do Principado do Brasil.

Armas do Reino Unido de Portugal, Brasil e Algarves: o escudo português sobre a esfera armilar, com a coroa
1816
O Reino Unido de Portugal, Brasil e Algarves
O escudo real português, inscrito na esfera armilar de ouro em campo azul, com uma coroa sobreposta.

A mesma carta de lei de 13 de maio de 1816 combinou o escudo real português com a esfera do Brasil: o escudo real português, inscrito na esfera armilar do Brasil e encimado por uma coroa, passou a ser «de hoje em diante as armas do Reino Unido de Portugal e do Brasil e Algarves». Eram estas as armas que se haviam de empregar «em todos os estandartes, bandeiras, sellos reaes e cunhos de moedas».

Armas do Reino do Brasil de setembro a dezembro de 1822, com a coroa real
1822
O Reino do Brasil independente
Em campo verde, uma esfera armilar de ouro atravessada por uma cruz da Ordem de Cristo, circulada de dezenove estrelas de prata numa orla azul; sobre o escudo, a coroa real.

O decreto de 18 de setembro de 1822 deu ao Brasil um novo escudo, com dois ramos «das plantas de Caffé e Tabaco, como Emblemas de sua riqueza comercial», ligados pelo Laço da Nação. Este brasão foi primeiro a insígnia do estandarte pessoal do príncipe real, criado pelo pintor francês Jean-Baptiste Debret a pedido de D. Pedro de Alcântara, já príncipe-regente. Entre setembro e dezembro de 1822 o escudo foi encimado pela coroa real, porque se planejava manter o Brasil como reino, ainda que independente.

Armas do Império do Brasil: escudo verde com a esfera armilar, a cruz da Ordem de Cristo e dezenove estrelas, sob a coroa imperial
1822
O Império do Brasil
Em campo verde, uma esfera armilar de ouro atravessada por uma cruz da Ordem de Cristo, circulada de dezenove estrelas de prata numa orla azul; sobre o escudo, a coroa imperial.

Com a sagração de D. Pedro como imperador, no final de 1822, a coroa real deu lugar à coroa imperial. O brasão mantinha elementos lusitanos: a esfera armilar, usada desde o século XVII no estandarte dos príncipes do Brasil, e a cruz da Ordem de Cristo, que já se combinava com a esfera nas moedas cunhadas na colônia desde pelo menos 1700. As dezenove estrelas representavam as províncias de então. Com a criação da província do Paraná, em 1853, o brasão passou a ter vinte estrelas; nas moedas, porém, foram sempre dezenove até 1889, e nos clichês da Imprensa Nacional dezenove até 1879.

Armas Nacionais do Brasil: escudo redondo azul com o Cruzeiro do Sul e as estrelas da Federação, sobre uma estrela verde e ouro
1889 → hoje
As Armas da República
Em campo azul-celeste, cinco estrelas de prata dispostas na forma do Cruzeiro do Sul; bordadura perfilada de ouro, carregada de estrelas de prata em número igual ao das estrelas da bandeira nacional.

O Decreto n.º 4, de 19 de novembro de 1889, não descreveu as armas: «As armas nacionaes serão as que se figuram na estampa annexa n. 2». O brasão republicano manteve muito do imperial: o Cruzeiro do Sul substituiu a cruz da Ordem de Cristo, o círculo azul substituiu a esfera armilar, e ficaram os ramos de café e fumo e o anel de estrelas das unidades da Federação. A fita verde e amarela passou a azul, e acrescentaram-se a estrela de cinco pontas, símbolo republicano, e a espada, símbolo militar. Segundo a Lei n.º 5.700, de 1971 (alterada pela Lei n.º 8.421, de 1992), as Armas Nacionais são as do decreto de 1889, com as alterações das leis de 1968 e de 1992.

O Brasão Atual

Brasão de armas do Brasil — escudo circular azul com o Cruzeiro do Sul e 27 estrelas, emoldurado por ramos de café e fumo, com uma espada atrás.

Brasão — Escudo circular azul com o Cruzeiro do Sul e as estrelas da federação, emoldurado por ramos de café e fumo.

Descrição

O brasão brasileiro distingue-se da maioria dos brasões nacionais europeus: não se constrói sobre um escudo feudal, mas sobre um medalhão circular em estilo neoclássico do final do século XIX. No seu centro, um campo azul-celeste carrega cinco estrelas de prata dispostas na forma da constelação do Cruzeiro do Sul. O campo tem a bordadura perfilada de ouro, e é nela — e não no campo — que se colocam as estrelas de prata da Federação, «em número igual ao das estrelas existentes na bandeira nacional», hoje 27. Ao contrário da bandeira, o brasão não reproduz o céu de 15 de novembro de 1889: a lei fixa apenas o número das estrelas.

O escudo fica pousado numa grande estrela de cinco pontas que não é de ouro, mas partida e gironada, de dez peças de sinopla e ouro — verde e ouro em raios alternados —, bordada de duas tiras, a interior de goles e a exterior de ouro. Por trás, um resplendor de ouro cujos contornos formam uma estrela de vinte pontas. Atrás do escudo emerge o copo de uma espada cerimonial, com a ponta voltada para cima. A composição é sustentada por dois ramos cruzados, atados na base: um ramo de café à dextra (à esquerda de quem vê) e um ramo de fumo à sinistra (à direita de quem vê), evocando as duas grandes culturas de exportação do Brasil imperial.

Um único listel de blau, brocante sobre os punhos da espada, traz em ouro a legenda REPÚBLICA FEDERATIVA DO BRASIL ao centro, 15 de Novembro na extremidade destra e de 1889 na sinistra — a data da Proclamação da República.

As Estrelas e a Federação

Cada estrela de prata no campo azul interno representa um membro da Federação. O desenho original de 1889 trazia 21 estrelas — uma para cada província herdada do Império mais o Município Neutro (atual Distrito Federal). O brasão foi atualizado à medida que novos estados foram criados:

  • 1960 — uma estrela para o novo estado da Guanabara
  • 1968 — a estrela do Acre, elevado a estado em 1962 (antes território federal, comprado à Bolívia pelo Tratado de Petrópolis em 1903); no mesmo ano, a Lei n.º 5.443, de 28 de maio, substituiu a legenda Estados Unidos do Brasil pela de República Federativa do Brasil
  • 1992 — a Lei n.º 8.421 acrescentou quatro estrelas, para o Amapá, Roraima, Rondônia e Tocantins, chegando às 27 atuais

É a bandeira, e não o brasão, que reproduz o céu carioca das 08h30 de 15 de novembro de 1889, hora em que o gabinete imperial foi formalmente deposto pelo Marechal Deodoro da Fonseca. Para as Armas, a lei exige apenas que o número das estrelas da bordadura acompanhe o da bandeira.

Heráldica Estadual

Os 26 Estados e o Distrito Federal

Cada uma das 27 unidades federativas do Brasil tem o seu próprio brasão e a sua própria bandeira. A maioria foi desenhada durante a República Velha (1889–1930) e reflete uma iconografia regional dos recursos naturais, da herança indígena e dos ideais republicanos. Alguns dos mais conhecidos:

  • São Paulo — a bandeira preta e branca de Júlio Ribeiro e o brasão de 1932, com o lema Pro Brasilia Fiant Eximia
  • Minas Gerais — o triângulo vermelho da Inconfidência Mineira (1789) e o lema Libertas Quæ Sera Tamen
  • Rio Grande do Sul — a bandeira diagonal verde, vermelha e amarela da Revolução Farroupilha
  • Bahia — as faixas brancas e vermelhas com cantão azul e triângulo branco, desenhadas por Diocleciano Ramos em 1889
  • Distrito Federal — a Cruz de Brasília do poeta e heraldista Guilherme de Almeida

Cada estado tem a sua ficha no mapa interativo acima, com o brasão, a bandeira e a sua história.

O Modelo Republicano Padrão

A maioria dos brasões estaduais brasileiros segue um padrão comum estabelecido na década de 1890 sob influência positivista: escudo circular ou oval em moldura neoclássica, com produtos naturais do estado (cana-de-açúcar, café, palmeiras, ouro) e uma coroa mural ou grinalda de louro. A padronização foi menos formal que em Portugal mas igualmente coerente — uma declaração tácita de que a República rompia com as convenções heráldicas medievais europeias.

Perguntas Frequentes

Por que a bandeira brasileira é verde e amarela?

As cores foram herdadas da bandeira imperial de 1822 desenhada por Jean-Baptiste Debret. O verde representava a Casa de Bragança de D. Pedro I, e o amarelo a Casa de Habsburgo-Lorena de sua esposa, a imperatriz D. Maria Leopoldina. A interpretação naturalista («verde das matas, amarelo do ouro») é uma releitura posterior, popularizada apenas no século XX.

O que significa Ordem e Progresso?

É um lema positivista inspirado na fórmula de Auguste Comte «L'amour pour principe et l'ordre pour base ; le progrès pour but». Os fundadores da República — em sua maioria positivistas comtianos da Igreja Positivista do Brasil — escolheram-no para exprimir os ideais laicos e racionalistas do novo regime. Não substituiu lema imperial algum: as armas do Império não traziam divisa — Independência ou Morte é o grito do Ipiranga, não uma legenda armoriada.

O que representam as estrelas da bandeira do Brasil?

As estrelas na esfera celeste azul representam o céu sobre o Rio de Janeiro às 08h30 do dia 15 de novembro de 1889 — manhã da Proclamação da República. Cada estrela representa um estado ou o Distrito Federal; o número passou de 21 (em 1889) para as atuais 27, com as estrelas acrescentadas em 1960, 1968 e 1992.

O que é a estrela acima da faixa branca?

É Spica, a estrela Alfa da constelação da Virgem. Representa o estado do Pará e a parte do Brasil situada no hemisfério Norte. O Distrito Federal é representado por Sigma Octantis, a estrela do Polo Sul Celeste.

Auguste Comte realmente influenciou tanto a República Brasileira?

Sim, de forma desproporcional ao seu peso na França. O positivismo brasileiro foi um movimento intelectual organizado em torno da Igreja Positivista do Brasil (fundada em 1881 por Miguel Lemos), com templo no Rio de Janeiro, sacerdotes laicos e um calendário próprio. Na Escola Militar da Praia Vermelha, Benjamin Constant Botelho de Magalhães formou nessa doutrina gerações de jovens oficiais; tornou-se ministro da Guerra do Governo Provisório.

Os símbolos mudaram durante o Estado Novo de Vargas?

Os símbolos nacionais não mudaram. Mas o Estado Novo (1937–1945), hostil ao regionalismo, proibiu os símbolos dos estados: as bandeiras estaduais foram queimadas numa cerimônia cívica no Rio de Janeiro. Voltaram a ser permitidas com a Constituição de 1946.

Fontes e Bibliografia

  • Decreto n.º 4 de 19 de novembro de 1889 do Governo Provisório da República (criação da bandeira e do brasão)
  • Lei n.º 5.700, de 1.º de setembro de 1971 — lei dos símbolos nacionais em vigor, com a descrição heráldica oficial das Armas
  • Lei n.º 5.443, de 28 de maio de 1968 (alteração do brasão de 1889)
  • Lei n.º 8.421 de 11 de maio de 1992 (estrelas do Amapá, Roraima, Rondônia e Tocantins)
  • Carta de lei de 13 de maio de 1816 e decreto de 18 de setembro de 1822 (armas do Reino do Brasil e do Reino Unido, 1816; escudo do Reino do Brasil, 1822), citados por Wikipédia (português), Armas Nacionais do Brasil; contexto histórico segundo Clóvis Ribeiro, Brazões e Bandeiras do Brasil (1933), e Luís Marques Poliano, Heráldica (1986)
  • Wikipédia (inglês), Flag of Brazil — tabela das estrelas e dos estados (Spica, Sigma Octantis, Gamma Hydrae), acréscimos de 1960, 1968 e 1992
  • Carvalho, J. M. de, A Formação das Almas: O Imaginário da República no Brasil, Companhia das Letras, 1990
  • Lins, I., História do Positivismo no Brasil, Companhia Editora Nacional, 1964
  • Schwarcz, L. M., As Barbas do Imperador: D. Pedro II, um Monarca nos Trópicos, Companhia das Letras, 1998
  • Carvalho, J. M. de, Os Bestializados: O Rio de Janeiro e a República que Não Foi, Companhia das Letras, 1987
  • Rodrigues, J. W., Heráldica Brasileira, Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro, 1934
  • Constituição da República Federativa do Brasil de 1988, artigo 13.º (símbolos nacionais)

Armas: Wikimedia Commons. Armas do Reino do Brasil (Giro720) e do Reino Unido de Portugal, Brasil e Algarves (117-M-I-K-E, convertida para WebP): CC BY-SA 4.0; armas de 1822 e armas atuais: domínio público.

Última revisão pela equipe editorial do Emblema Mundi em 5 de outubro de 2026.

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