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Rio de Janeiro — Brasão de Armas e Bandeira do Estado


O estado do Rio de Janeiro é incomum entre as 27 unidades federativas do Brasil por compartilhar o nome exato com sua própria capital — e sua heráldica é igualmente moldada por uma história política pouco comum. O brasão de armas, em uso desde 1892 e fixado em sua forma atual em 1965, coloca uma águia acima de um escudo oval trazendo a Serra dos Órgãos, ladeado por ramos de café e cana-de-açúcar. A bandeira estadual — um simples retângulo quartelado em branco e azul-celeste, com o brasão ao centro — é um desenho totalmente diferente da muito mais famosa bandeira da esfera armilar, que pertence apenas à cidade do Rio de Janeiro. Os dois símbolos são anteriores ao evento mais marcante do século XX na história do estado — a fusão de 1975 com o efêmero estado da Guanabara — e sobreviveram a ela.

Em Síntese

EstadoRio de Janeiro — o estado compartilha o nome exato com sua capital, ao contrário da maioria dos estados brasileiros
CapitalCidade do Rio de Janeiro (capital do estado fundido desde 15 de março de 1975; antes, o antigo estado do Rio de Janeiro era governado a partir de Niterói)
Divisão de 1960–1975Com a transferência da capital federal para Brasília em 1960, a cidade do Rio de Janeiro tornou-se sua própria unidade federativa, o estado da Guanabara, enquanto o estado do Rio de Janeiro continuou a existir separadamente
Fusão de 1975A Lei Complementar n.º 20, de 1º de julho de 1974, fundiu os estados do Rio de Janeiro e da Guanabara num único estado, efetiva em 15 de março de 1975
Brasão adotadoLei Estadual n.º 3, de 29 de junho de 1892 (desenho original do engenheiro Ricardo Honorato Pereira de Carvalho); suspenso 1937–1962/63; descrição atual pela Lei Estadual n.º 5.588, de 5 de outubro de 1965 (revisão de Alberto Rosa Fioravanti)
Bandeira adotadaLei Estadual n.º 5.588, de 5 de outubro de 1965, mesma lei do brasão
Cores da bandeiraBranco e azul-celeste, quartelados; sem terceira cor
LemaRecte Rempublicam Gerere (“Governar a coisa pública com retidão”)
RegiãoSudeste
Brasão de armas do estado do Rio de Janeiro — escudo oval com a Serra dos Órgãos, águia acima trazendo uma estrela e o lema Recte Rempublicam Gerere, ladeado por ramos de café e cana-de-açúcar

Brasão de Armas do Estado do Rio de Janeiro — Escudo oval com a Serra dos Órgãos, águia acima trazendo a estrela Beta Crucis, ladeado por café e cana-de-açúcar

Brasão de Armas do Rio de Janeiro

Descrição heráldica

O brasão de armas do estado do Rio de Janeiro — distinto do brasão da cidade homônima — adota a forma de escudo oval, tradicionalmente usada pelo clero, dita simbolizar as aspirações cristãs do povo fluminense. O escudo divide-se em três faixas horizontais: a metade superior é azul, representando o céu e a justiça, a verdade e a lealdade, carregada com a silhueta da Serra dos Órgãos, sendo o pico Dedo de Deus o elemento mais proeminente; o quartel do meio é verde, pela baixada fluminense; e o quartel da base é azul novamente, lembrando o mar ao longo das praias do estado. Um cordão de ouro circunda todo o escudo, lido como símbolo da união do povo fluminense.

Acima do escudo ergue-se uma águia em cores naturais, asas abertas como se estivesse alçando voo, pousada sobre um pequeno escudete azul redondo debruado de prata. Esse medalhão interno traz duas inscrições: uma faixa de prata com 9 DE ABRIL DE 1892 (data da primeira constituição republicana do estado) e uma orla de prata com o lema em latim RECTE REMPUBLICAM GERERE (“governar a coisa pública com retidão”). Encimando a águia está uma única estrela de prata de cinco pontas, identificada na descrição oficial como Beta Crucis, a estrela que representa o Rio de Janeiro entre as estrelas do Cruzeiro do Sul na bandeira do Brasil. Ladeando o escudo, como suportes, estão um ramo de café frutificado e um talo de cana-de-açúcar, ambos descritos na legislação estadual como representando “os principais produtos da terra”.

Elementos e simbologia

  • Escudo oval — a forma eclesiástica do escudo, incomum entre os brasões estaduais brasileiros, escolhida para expressar sentimento cristão, e não uma herança marcial.
  • Serra dos Órgãos e o Dedo de Deus — a cadeia de montanhas ao norte da capital, um dos marcos naturais mais reconhecíveis do estado, hoje parque nacional.
  • Águia — oficialmente descrita como representando um governo forte, honesto e justo, levando uma mensagem de confiança e esperança a todos os cantos do estado.
  • Estrela (Beta Crucis) — a estrela específica do Cruzeiro do Sul atribuída ao Rio de Janeiro na bandeira nacional, aqui repetida como timbre do brasão estadual.
  • Ramo de café — recorda a economia cafeeira do século XIX do Vale do Paraíba fluminense, que por um tempo fez da província uma das mais ricas do Império brasileiro.
  • Talo de cana-de-açúcar — recorda a economia açucareira mais antiga da baixada de Campos dos Goytacazes, pilar da capitania desde o período colonial.
  • Lema Recte Rempublicam Gerere — uma aspiração à administração pública honesta e reta, emparelhado no escudete com a data da primeira constituição do estado.

Contexto histórico

O desenho atual descende da Lei Estadual n.º 3, de 29 de junho de 1892, adotada poucos meses após a primeira constituição republicana estadual do Rio de Janeiro, e atribuída ao engenheiro fluminense Ricardo Honorato Pereira de Carvalho. Como os brasões da maioria dos estados brasileiros, saiu de uso oficial entre 1937 e o início dos anos 1960 sob a Constituição centralizadora do Estado Novo de 1937, que suprimiu os símbolos regionais; os emblemas estaduais em geral voltaram a ser legais depois que a Constituição federal de 1946 restaurou a autoridade dos estados para adotá-los. A pedido do governador General Paulo Torres, o desenho foi reinstituído e redescrito formalmente pela Lei Estadual n.º 5.138, de 7 de fevereiro de 1963, depois revisado em detalhe — ajustando a postura da águia e a posição da estrela — pela Lei Estadual n.º 5.588, de 5 de outubro de 1965, obra do heraldista Alberto Rosa Fioravanti. Tanto o brasão quanto a bandeira foram depois reconsolidados, junto com o hino estadual, pelo Decreto-Lei n.º 553, de 25 de novembro de 1976, editado no ano seguinte à fusão com a Guanabara, mas sem alterar os desenhos de 1965.

Como o brasão e a bandeira atuais datam de 1965 — uma década antes da fusão de 1975 com a Guanabara —, nenhum dos dois emblemas foi criado para comemorar essa fusão, e nenhum incorpora qualquer elemento do próprio brasão ou bandeira do antigo estado da Guanabara, que saíram de uso oficial quando a fusão entrou em vigor.

Bandeira do estado do Rio de Janeiro — retângulo quartelado em branco e azul-celeste, com o brasão de armas estadual ao centro

Bandeira do Estado do Rio de Janeiro — Quartelada em branco e azul-celeste, com o brasão estadual ao centro

Bandeira do Rio de Janeiro

Origem e adoção

Durante o Império, a então província do Rio de Janeiro hasteava um pavilhão naval amplamente semelhante à bandeira de hoje, ainda que sem brasão e usado informalmente, sem base legal. Após a Proclamação da República, o desenho foi adaptado com um quartelamento ajustado e, com o tempo, o acréscimo do brasão estadual. Assim como o brasão, a bandeira foi proibida como símbolo oficial entre 1937 e meados dos anos 1940 sob a Constituição do Estado Novo, voltando a ser usada quando a Constituição federal de 1946 restaurou o direito dos estados a seus próprios símbolos. A forma atual e precisamente especificada da bandeira foi fixada pela Lei Estadual n.º 5.588, de 5 de outubro de 1965 — a mesma lei que redescreveu o brasão —, desenhada por Alberto Rosa Fioravanti para o governador Paulo Torres.

Como essa lei data de uma década antes da fusão de 1975 com a Guanabara, a bandeira não foi criada para marcar essa fusão, e a própria bandeira estadual da Guanabara (em uso de 1960 a 1975), separada, caiu em desuso quando a fusão entrou em vigor, em vez de ser combinada com o desenho do Rio de Janeiro.

Desenho e cores

A bandeira é um retângulo em proporção 7:10 (especificada na lei estadual como 20 módulos de comprimento por 14 de largura, igual à proporção da bandeira nacional do Brasil), dividido por um eixo horizontal e um vertical em quatro quartéis iguais alternando branco e azul-celeste: junto à tralha, o quartel superior é branco e o inferior azul; junto ao batente, o padrão se inverte, com o quartel superior azul e o inferior branco. O brasão de armas estadual é colocado ao centro da bandeira, dimensionado para ocupar cerca de cinco sétimos de sua altura. Ao contrário das bandeiras de alguns outros estados brasileiros, nenhuma terceira cor aparece — a paleta é estritamente branca e azul-celeste em toda a extensão.

Fontes estaduais descrevem o azul e o branco como herdados das cores tradicionais da monarquia portuguesa. No brasão colocado ao centro da bandeira, o branco e o azul-celeste são lidos ainda, heraldicamente, como representando a inocência, a pureza e a paz (branco) e a justiça, a lealdade, o saber e a vigilância (azul).

Nota sobre uma bandeira bem diferente e mais famosa: a bandeira branca com aspa azul e escudo vermelho trazendo três flechas de prata, um barrete frígio e uma esfera armilar — instantaneamente reconhecível e amplamente fotografada no Carnaval e na cultura de praia cariocas — pertence especificamente ao município do Rio de Janeiro, adotada em 8 de julho de 1908, não ao estado. As duas bandeiras não têm relação de desenho além de compartilharem uma paleta azul e branca de origem portuguesa, e esta página trata apenas da bandeira estadual.

Uso contemporâneo

A bandeira estadual é hasteada nos edifícios públicos do Rio de Janeiro e nas cerimônias oficiais ao lado da bandeira nacional, e é hasteada a meio-mastro ou exibida com destaque durante comemorações cívicas estaduais, como o aniversário da fusão de 1975. É administrativamente distinta, e consideravelmente menos visível na cultura popular, tanto da bandeira nacional quanto da própria bandeira da esfera armilar da cidade do Rio de Janeiro.

Perguntas Frequentes

Qual a diferença entre o brasão do estado e o brasão da cidade do Rio de Janeiro?

São desenhos totalmente diferentes. O brasão estadual mostra um escudo oval com a Serra dos Órgãos, uma águia acima, e ramos de café e cana-de-açúcar. Já o brasão do município é um escudo vermelho com três flechas de prata e uma esfera armilar sob um barrete frígio, sustentado por dois golfinhos sob uma coroa mural — um desenho ligado à fundação da cidade em 1565 e a seu padroeiro, São Sebastião.

A bandeira do estado é a mesma bandeira da esfera armilar, famosa do Rio de Janeiro?

Não. A bandeira branca com aspa azul e escudo vermelho trazendo uma esfera armilar, amplamente reconhecida e fotografada no Carnaval e na cultura de praia carioca, pertence especificamente ao município do Rio de Janeiro, adotada em 1908. A bandeira estadual é um retângulo simples, quartelado em branco e azul-celeste, com o brasão do estado ao centro, fixada pela Lei Estadual n.º 5.588, de 5 de outubro de 1965. As duas bandeiras compartilham uma paleta azul e branca de origem portuguesa, mas são desenhos sem relação, pertencentes a esferas de governo diferentes.

O que foi a fusão de 1975 entre Rio de Janeiro e Guanabara?

A Guanabara foi criada em 1960 a partir do antigo Distrito Federal, quando a capital do Brasil mudou para Brasília, cobrindo apenas a cidade do Rio de Janeiro; o estado do Rio de Janeiro propriamente dito continuou a existir ao lado dela, com capital em Niterói. A Lei Complementar n.º 20, de 1º de julho de 1974, fundiu os dois num único estado, efetivo em 15 de março de 1975, sob o nome Rio de Janeiro, com a cidade do Rio de Janeiro como capital; o brasão e a bandeira próprios da Guanabara saíram de uso oficial com a fusão.

O que representa a águia no brasão do estado?

A águia, mostrada em cores naturais com as asas abertas como se estivesse alçando voo acima do escudo, é oficialmente descrita como representando um governo forte, honesto e justo, levando uma mensagem de confiança e esperança a todos os cantos do estado. Ela repousa sobre um pequeno escudete azul trazendo a data da primeira constituição do estado e o lema em latim Recte Rempublicam Gerere.

O que é a estrela no brasão do Rio de Janeiro?

É uma única estrela de prata de cinco pontas representando Beta Crucis, a segunda estrela mais brilhante da constelação do Cruzeiro do Sul, a mesma estrela que representa o estado do Rio de Janeiro entre as 27 estrelas da bandeira do Brasil.

Fontes e Leitura Complementar

  • Lei Estadual n.º 3, de 29 de junho de 1892, Rio de Janeiro (brasão original, desenho do engenheiro Ricardo Honorato Pereira de Carvalho)
  • Lei Estadual n.º 5.138, de 7 de fevereiro de 1963, Rio de Janeiro (reinstituição do brasão após a suspensão de 1937–1962/63, sob o governador Paulo Torres)
  • Lei Estadual n.º 5.588, de 5 de outubro de 1965, Rio de Janeiro (descrição oficial atual do brasão e da bandeira, revisão de desenho de Alberto Rosa Fioravanti)
  • Decreto-Lei n.º 553, de 25 de novembro de 1976, Rio de Janeiro (consolidação do brasão, da bandeira e do hino)
  • Lei Complementar n.º 20, de 1º de julho de 1974 (federal) — fusão dos estados da Guanabara e do Rio de Janeiro, efetiva em 15 de março de 1975
  • Wikipédia, Brasão do estado do Rio de Janeiro — consultada para o blasonamento, o histórico legislativo e a atribuição dos desenhistas
  • Wikipédia, Bandeira do estado do Rio de Janeiro — consultada para o desenho da bandeira, as proporções e o histórico de cores
  • Flags of the World / CRW Flags (crwflags.com/fotw/flags/br-rj.html), State of Rio de Janeiro (Brazil) — consultado para o blasonamento em inglês do brasão e da bandeira, e a identificação da estrela como Beta Crucis
  • Wikipedia (en), Flag of Rio de Janeiro — consultada para confirmar que esse artigo descreve a bandeira da esfera armilar da cidade (adotada em 1908), distinta da bandeira estadual aqui tratada
  • Wikipedia (en), Guanabara (state) — consultada para a criação em 1960 e a dissolução em 1975 da Guanabara
  • Fridman, Fania. Donos do Rio em Nome do Rei: Uma História Fundiária da Cidade do Rio de Janeiro. Rio de Janeiro: Garamond, 1999
  • Stein, Stanley J. Vassouras: Um Município Brasileiro do Café, 1850–1900. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1990

Última revisão pela equipe editorial do Emblema Mundi em 5 de julho de 2026.

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