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Estado
Os símbolos de Sergipe pertencem à primeira leva da heráldica republicana brasileira. Seu brasão de armas, adotado em 1892, mal dois anos após a queda do Império, é incomum entre os brasões estaduais brasileiros por sua alegoria: a figura indígena de Serigi embarcando num balão de ar quente com a inscrição Porvir, sob o lema em latim Sub Lege Libertas. Sua bandeira, nascida como o pavilhão particular de um comerciante antes de ser adotada pelo estado em 1920, traz faixas verdes e amarelas e cinco estrelas que marcam as fozes dos rios do menor estado do Brasil em área.
| Estado | Sergipe (Capitania de Sergipe d’El Rey, província em 1824, estado desde 15 de novembro de 1889) |
|---|---|
| Capital | Aracaju (desde 1855; antes São Cristóvão) |
| Código | SE |
| Área | ~21 900 km² (menor estado do Brasil) |
| População | ~2,3 milhões de habitantes |
| Região | Nordeste |
| Brasão adotado | Lei Estadual n.º 2, de 5 de junho de 1892, desenhado pelo professor Brício Cardoso, ratificado pela Assembleia Legislativa em 5 de julho de 1892 |
| Bandeira adotada | Lei Estadual n.º 795, de 19 de outubro de 1920, sob o governador José Joaquim Pereira Lobo; desenho atribuído ao comerciante Bastos Coelho |
| Lema do brasão | Sub Lege Libertas (“Liberdade sob a lei”) |
| Fronteiras | Alagoas (norte, rio São Francisco), Bahia (oeste e sul), Oceano Atlântico (leste) |
Brasão de Armas de Sergipe — O índio Serigi embarcando no balão do Porvir, sobre o lema Sub Lege Libertas
O brasão de Sergipe foi desenhado pelo professor Brício Cardoso e adotado pela Lei Estadual n.º 2, de 5 de junho de 1892, ratificada pela Assembleia Legislativa do estado em 5 de julho de 1892 — situando-o entre os primeiros brasões estaduais fixados sob a nova ordem republicana, pouco mais de dois anos e meio após a queda do Império. Sua peça central é incomum entre os emblemas estaduais brasileiros: o escudo mostra a figura indígena de Serigi no ato de embarcar num balão de ar quente, no centro do qual aparece a única palavra PORVIR.
Abaixo do escudo, uma fita traz o lema em latim SUB LEGE LIBERTAS (“Liberdade sob a lei”), e sob ele a data 18 DE MAIO DE 1892 — data da primeira constituição republicana estadual de Sergipe. O selo é usado em documentos oficiais e papel timbrado do governo estadual; mais recentemente, a Lei Estadual n.º 8.504, de 4 de janeiro de 2019, regulamentou formalmente o uso do brasão como símbolo oficial da administração estadual.
Nota sobre precisão: a descrição anteriormente publicada nesta página dava apenas um relato vago e genérico do brasão — uma “estrela” não especificada, “elementos agrícolas” e referências coloniais, sem número de lei nem nome de desenhista — sem descrever o balão, a figura de Serigi ou o lema. Essa descrição não pôde ser confirmada pelas fontes consultadas para esta página e foi substituída aqui pelo blasonamento documentado acima.
A colonização portuguesa da região começou em 1590, quando o capitão Cristóvão de Barros submeteu os tupinambás e fundou São Cristóvão, hoje considerada a quarta cidade mais antiga do Brasil e, desde 2021, oficialmente titulada “Cidade Mãe de Sergipe”. Por mais de dois séculos, a Capitania de Sergipe — às vezes chamada Sergipe d’El Rei no uso mais antigo — foi administrada como uma comarca subordinada à Capitania da Bahia, fornecendo gado, açúcar e algodão ao porto de Salvador.
O ressentimento crescente com a tributação e o desejo de autonomia fiscal, alimentados pela economia açucareira em expansão do vale do Cotinguiba, levaram a uma primeira tentativa de separação: uma carta régia de 8 de julho de 1820, emitida sob D. João VI, concedeu a Sergipe status de capitania própria. Forças baianas resistiram quase imediatamente, depondo à força o governador recém-nomeado Burlamaqui em março de 1821 e reincorporando Sergipe como comarca da Bahia já em agosto daquele ano. A separação de Sergipe só se consolidou definitivamente com a primeira Constituição Imperial do Brasil, em 1824, após a qual o território passou a funcionar como província independente. Em julho daquele mesmo ano, a vizinha Confederação do Equador convidou Sergipe, junto com Pernambuco, Piauí, Ceará, Rio Grande do Norte e Paraíba, a aderir à sua república separatista de vida curta; apesar de ecos do movimento terem sido sentidos na província no segundo semestre de 1824, Sergipe não aderiu formalmente, permanecendo sob autoridade imperial. A província tornou-se estado da federação com a Proclamação da República em 15 de novembro de 1889.
São Cristóvão permaneceu sede do governo até 17 de março de 1855, quando o presidente da província Inácio Joaquim Barbosa transferiu a capital para a recém-planejada cidade litorânea de Aracaju, traçada em quadrícula para melhor servir o escoamento do açúcar pelo seu porto. A Praça São Francisco em São Cristóvão, com seu conjunto conventual franciscano, foi inscrita como Patrimônio Mundial da UNESCO em 2010.
Bandeira de Sergipe — Quatro faixas de verde e amarelo, com cantão azul trazendo cinco estrelas para as fozes dos rios do estado
Diferentemente do brasão, a bandeira de Sergipe começou como um emblema particular. No século XIX, o comerciante sergipano Bastos Coelho — identificado em algumas fontes pelo nome completo José Rodrigues Bastos Coelho — criou o desenho verde, amarelo e azul para marcar seus próprios navios mercantes. A bandeira ganhou reconhecimento popular mais amplo como símbolo não oficial do estado antes que o governador José Joaquim Pereira Lobo a tornasse oficial pela Lei Estadual n.º 795, de 19 de outubro de 1920 — ano do centenário da carta régia de 1820 que primeiro separou Sergipe da Bahia. Foi hasteada oficialmente pela primeira vez em 24 de outubro de 1920, na fachada do Palácio Olímpio Campos.
O desenho da bandeira foi alterado uma vez, brevemente: uma modificação de 30 de outubro de 1951 substituiu as cinco estrelas por um campo de cerca de quarenta e duas estrelas representando os municípios do estado. A mudança foi impopular e foi revertida pouco mais de um ano depois pela Lei Estadual n.º 458, de 3 de dezembro de 1952, que restaurou o desenho original de cinco estrelas, ainda em uso hoje.
A bandeira é um retângulo de quatro faixas horizontais alternadas, verde e amarelo, com verde no topo. No canto superior esquerdo situa-se um cantão azul retangular, proporcionado para ocupar metade da altura da bandeira, trazendo cinco estrelas brancas de cinco pontas dispostas em quincôncio (um padrão em cruz de quatro estrelas externas ao redor de uma central maior). As especificações oficiais de cor descrevem os tons como um azul cobalto, um verde esmeralda e um amarelo dourado. As fontes são consistentes em afirmar que as estrelas marcam cinco fozes de rios que alcançam o Atlântico ao longo da costa de Sergipe, embora divirjam ligeiramente sobre a lista exata: os mais citados são os rios São Francisco, Japaratuba, Sergipe, Vaza-Barris e Real, com a estrela central maior geralmente identificada com o rio Sergipe, de onde vem o próprio nome do estado. As faixas verde e amarela ecoam as cores nacionais do Brasil, expressando a integração do estado à federação.
A bandeira é hasteada nos edifícios públicos de Sergipe e preside as cerimônias oficiais do estado ao lado da bandeira nacional. É presença constante nas comemorações cívicas da emancipação de Sergipe em relação à Bahia, celebrada todo ano em 8 de julho, e nas comemorações do Dia da Independência do estado, ligadas ao feriado nacional de 7 de setembro.
Sergipe possui cerca de 21 900 km² de área territorial, sendo o menor dos 26 estados brasileiros. Sua extensão reduzida resulta da configuração histórica da capitania, espremida entre a Bahia, Alagoas e o Atlântico.
Serigi é a figura cujo nome a etimologia popular liga ao próprio nome do estado. No brasão de 1892, desenhado por Brício Cardoso, ele aparece embarcando num balão de ar quente com a inscrição PORVIR — uma composição lida como representando a passagem do passado indígena do estado para um futuro de progresso e civilização.
Sub Lege Libertas é latim para “liberdade sob a lei”. Aparece numa fita abaixo do escudo do brasão de Sergipe, ao lado da data 18 de maio de 1892 — data da primeira constituição republicana do estado — expressando o compromisso do jovem estado com a ordem constitucional após a queda do Império.
Em 1855, o presidente da província Inácio Barbosa transferiu a capital para Aracaju, cidade planejada no litoral, visando facilitar o escoamento da produção açucareira pelo porto marítimo.
Sergipe foi desmembrado da Capitania da Bahia em 1820, por decreto de D. João VI, tornando-se capitania independente após séculos de reivindicações autonomistas.
As cinco estrelas brancas no cantão azul da bandeira representam as fozes dos cinco principais rios de Sergipe que alcançam o Atlântico: o São Francisco, o Japaratuba, o Sergipe, o Vaza-Barris e o Real. A estrela central, maior, é geralmente identificada com o rio Sergipe, de onde o estado tira o próprio nome.
Última revisão pela equipe editorial do Emblema Mundi em 5 de julho de 2026.