Rio Grande do Norte

Flag

Flag Rio Grande do Norte

Not available

Coat of Arms

Coat of Arms Rio Grande do Norte

Not available

× Zoom

Estado

Rio Grande do Norte — Brasão de Armas e Bandeira do Estado


Os símbolos do Rio Grande do Norte se leem como um inventário de trabalho do litoral e do sertão do estado. O brasão de armas, fixado em 1909, coloca a jangada de um pescador no mar aberto ao lado de maçãos de algodão e cana-de-açúcar, ladeado por um coqueiro e uma carnaúba — a árvore do interior semiárido valorizada por sua cera. A bandeira, desenhada quase meio século depois pelo folclorista Luís da Câmara Cascudo, é um campo simples verde e branco trazendo esse mesmo escudo ao centro — um emblema discreto para um estado cuja história moderna inclui um brasão concedido pelos holandeses, um forte construído contra comerciantes franceses em 1598, e um papel decisivo como base aérea aliada na Segunda Guerra Mundial.

Em Síntese

EstadoRio Grande do Norte (antiga Capitania do Rio Grande, província em 1824, estado desde 15 de novembro de 1889)
CapitalNatal (fundada em 25 de dezembro de 1599)
CódigoRN
RegiãoNordeste
AlcunhaTerra do Sol
Brasão adotadoDecreto Estadual n.º 201, de 1º de julho de 1909, sob o governador Alberto Maranhão; desenhado pelo escultor Corbiniano Vilaça
Bandeira adotadaLei Estadual n.º 2.160, de 3 de dezembro de 1957, sob o governador Dinarte Mariz; desenhada por Luís da Câmara Cascudo
Marco históricoForte dos Reis Magos (1598) e fundação de Natal (1599)
Brasão de armas do Rio Grande do Norte — escudo com o mar e uma jangada de pescador abaixo, maçãos de algodão acima, ladeado por um coqueiro e uma carnaúba

Brasão de Armas do Rio Grande do Norte — Jangada de pescador no mar, algodão e cana-de-açúcar, ladeados por um coqueiro e uma carnaúba

Brasão de Armas do Rio Grande do Norte

Descrição heráldica

O brasão do Rio Grande do Norte foi instituído pelo Decreto Estadual n.º 201, de 1º de julho de 1909, durante a administração do governador Alberto Maranhão (1908–1914), e foi desenhado pelo escultor Corbiniano Vilaça. O decreto descreve um escudo aberto dividido a dois terços da altura. O campo inferior mostra o mar, sobre o qual navega a jangada de um pescador — elemento que o próprio decreto explica como representando “as indústrias salineira e pesqueira” em conjunto, já que salinas e a pesca de jangada compartilhavam o mesmo trecho de litoral. O terço superior, em campo de prata, traz duas flores nas laterais e dois maçãos de algodão ao centro.

O escudo é ladeado em toda a sua altura por duas árvores: um coqueiro de um lado e uma carnaúba (Copernicia prunifera) do outro — as fontes descrevem essa combinação de forma consistente, mas divergem sobre qual árvore fica de cada lado, de modo que nenhuma posição fixa é afirmada aqui. Seus troncos são unidos por dois talos de cana-de-açúcar, presos ao centro por um laço nas cores nacionais. Sobre o escudo repousa uma estrela branca, descrita no decreto original como simbolizando o lugar do Rio Grande do Norte na união federativa brasileira.

Elementos e simbologia

  • Jangada e mar — embarcação vélica tradicional ainda usada por pescadores artesanais no litoral do Rio Grande do Norte; o decreto a associa ao mar para representar em conjunto as indústrias pesqueira e salineira, pilares históricos da economia costeira.
  • Maçãos de algodão — a cultura do algodão, grande produto de exportação do interior do estado nos séculos XIX e início do XX.
  • Cana-de-açúcar — a cultura de plantação das terras baixas litorâneas, unindo as duas palmeiras que ladeiam a base do escudo.
  • Coqueiro — a árvore do litoral atlântico arenoso, uma das plantas mais identificáveis visualmente das praias do estado.
  • Carnaúba — nativa do sertão semiárido interior, historicamente explorada por sua cera foliar, exportada para velas, discos de fonógrafo, produtos de polimento e cosméticos; sua presença equilibra a referência costeira do coqueiro com o sertão.
  • Estrela branca — acrescentada, segundo a descrição de 1909, para representar a pertença do estado à federação brasileira, um recurso repetido em muitos outros brasões estaduais da era republicana.

Contexto histórico

As autoridades portuguesas agiram para garantir a foz do rio Potengi no fim do século XVI, a fim de bloquear comerciantes franceses aliados aos potiguares contra a colonização portuguesa. Uma frota chegou à foz do rio em 25 de dezembro de 1597, e a construção do Forte dos Reis Magos começou em 6 de janeiro de 1598 (dia de Reis, daí o nome, em homenagem aos três Magos). A cidade de Natal foi fundada no 25 de dezembro seguinte, em 1599, recebendo o nome — “Natal” em português — da data de sua fundação.

Durante a ocupação holandesa do Nordeste brasileiro, o forte foi tomado em dezembro de 1633 e rebatizado Castelo Ceulen, permanecendo sob controle holandês por cerca de duas décadas, até a capitulação geral de janeiro de 1654. Por volta de 1638, a administração de Maurício de Nassau concedeu à capitania do Rio Grande um brasão próprio: um rio com uma ema (grande ave não voadora então abundante em suas margens) na margem, encimado por uma coroa e cercado por uma grinalda de flores de laranjeira aludindo à Casa de Orange-Nassau. Esse escudo de origem holandesa não tem relação com o brasão adotado em 1909 e caiu em desuso após a Restauração portuguesa.

Após a Restauração, a Capitania do Rio Grande continuou sob administração portuguesa, tornando-se província imperial após a independência do Brasil em 1822 e estado da federação em 15 de novembro de 1889, com a Proclamação da República. O brasão de 1909 data desse período republicano, no idioma naturalista e baseado em recursos comum aos brasões estaduais brasileiros da época. No século XX, o litoral estrategicamente voltado para o Atlântico do estado voltou a atrair atenção externa: durante a Segunda Guerra Mundial, a base aérea americana de Parnamirim Field, perto de Natal, tornou-se uma das maiores bases aéreas dos Estados Unidos fora de seu próprio território, tão crucial para a logística aliada no Atlântico Sul que ganhou o apelido de “Trampolim da Vitória”. Duas décadas depois, em 12 de outubro de 1965, o Ministério da Aeronáutica brasileiro instalou o Centro de Lançamento da Barreira do Inferno, perto de Natal, a primeira base de lançamento de foguetes da América do Sul.

Bandeira do Rio Grande do Norte — campo verde superior e campo branco inferior, com um escudo dourado trazendo o brasão do estado ao centro

Bandeira do Rio Grande do Norte — Campos verde e branco com o brasão do estado sobre um escudo dourado ao centro

Bandeira do Rio Grande do Norte

Origem e adoção

Diferentemente do brasão, a bandeira do Rio Grande do Norte foi um acréscimo relativamente tardio aos símbolos oficiais do estado, adotada quase meio século depois do brasão que ela carrega. Foi instituída pela Lei Estadual n.º 2.160, de 3 de dezembro de 1957, sob o governador Dinarte Mariz, e seu desenho é atribuído a Luís da Câmara Cascudo, o mais destacado folclorista e historiador do estado, conhecido por seus estudos da cultura popular potiguar. Antes de 1957, o estado não hasteava uma bandeira fixa e legalmente definida própria; uma ilustração de cerca de 1930 num cartão colecionável de uma fábrica de sabão mostra um desenho azul e branco que pode refletir um uso informal, não oficial, e não qualquer estatuto.

Desenho e cores

A bandeira é um retângulo em proporção 2:3 (um metro por um metro e meio), dividido horizontalmente em dois campos iguais: verde acima — no mesmo tom do verde da bandeira nacional do Brasil — e branco abaixo. No centro situa-se um escudo dourado de estilo francês trazendo o brasão de armas estadual instituído em 1909. Na descrição oficial do estado, o verde representa a esperança e o branco a paz, ecoando a simbologia de cores usada na própria bandeira nacional.

Uso contemporâneo

A bandeira é hasteada nos edifícios públicos do Rio Grande do Norte e preside as cerimônias oficiais do estado ao lado da bandeira nacional. É presença constante na temporada de festas juninas, incluindo a encenação Chuva de Bala no País de Mossoró, que relembra a resistência da cidade ao bando do cangaceiro Lampião em 1927, e aparece em grandes eventos turísticos como o Carnatal, o carnaval fora de época de Natal.

Perguntas Frequentes

O que representa a jangada no brasão do Rio Grande do Norte?

A jangada é uma embarcação vélica tradicional usada por pescadores no litoral do Rio Grande do Norte. No brasão de 1909 ela navega sobre o mar, no terço inferior do escudo, e a descrição oficial do estado explica que ela representa, em conjunto, dois pilares históricos da economia da região: a indústria pesqueira e a indústria salineira, já que jangadas e salinas compartilhavam o mesmo litoral.

Por que há duas palmeiras diferentes no brasão?

O escudo é ladeado por um coqueiro de um lado e uma carnaúba (Copernicia prunifera) do outro. O coqueiro reflete o litoral atlântico arenoso do estado, enquanto a carnaúba, nativa do sertão semiárido, foi historicamente valorizada por sua cera, usada em velas, produtos de polimento e depois em discos de fonógrafo e cosméticos; juntas, as duas palmeiras resumem as metades litorânea e sertaneja do território potiguar.

Quem desenhou a bandeira do Rio Grande do Norte?

A bandeira foi desenhada por Luís da Câmara Cascudo, o principal folclorista e historiador do estado, e formalmente adotada pela Lei Estadual n.º 2.160, de 3 de dezembro de 1957, sob o governador Dinarte Mariz. Cascudo definiu as proporções da bandeira e seu campo verde sobre branco, sobre o qual foi colocado o brasão do estado, adotado separadamente em 1909, num escudo dourado.

O Rio Grande do Norte já teve um brasão antes de 1909?

Sim. Durante a ocupação holandesa do Nordeste brasileiro, a administração de Maurício de Nassau concedeu à capitania do Rio Grande um brasão por volta de 1638, mostrando um rio com uma ema (grande ave não voadora então abundante em suas margens), encimado por uma coroa e cercado por uma grinalda de flores de laranjeira em referência à Casa de Orange-Nassau. Foi substituído após a Restauração portuguesa e não tem relação com o desenho atual de 1909.

Qual é a origem do nome Rio Grande do Norte?

O nome deriva do rio Potengi, chamado de “Rio Grande” pelos colonizadores portugueses ao chegarem à região no final do século XVI. O complemento “do Norte” distingue-o da capitania homônima ao sul.

Fontes e Leitura Complementar

  • Decreto Estadual n.º 201, de 1º de julho de 1909, Rio Grande do Norte (descrição heráldica original do brasão, desenhado por Corbiniano Vilaça)
  • Lei Estadual n.º 2.160, de 3 de dezembro de 1957, Rio Grande do Norte (adoção da bandeira, desenhada por Luís da Câmara Cascudo)
  • Constituição do Estado do Rio Grande do Norte, Artigo 12 (reconhecimento do brasão como símbolo estadual oficial)
  • Wikipédia, Brasão do Rio Grande do Norte e Bandeira do Rio Grande do Norte — consultadas para a cronologia legislativa e a descrição heráldica
  • Flags of the World (crwflags.com), Rio Grande do Norte (Brazil) — consultado para a descrição heráldica em inglês e o histórico do desenho
  • TV Senado, Essa Bandeira tem História — episódio sobre a bandeira do Rio Grande do Norte e o papel de Câmara Cascudo, transmitido em dezembro de 2022
  • Tok de História (Rostand Medeiros), A ema, símbolo histórico do Rio Grande do Norte colonial — consultado para o brasão de origem holandesa (c. 1638) da capitania
  • Wikipédia, Capitania do Rio Grande e Fortaleza da Barra do Rio Grande — consultadas para a fundação do Forte dos Reis Magos, de Natal, e a ocupação holandesa (1633–1654)
  • Cascudo, Luís da Câmara. História do Rio Grande do Norte. Rio de Janeiro: Ministério da Educação e Cultura, 1955
  • Medeiros Filho, Olavo de. Terra Natalense. Natal: Fund. José Augusto, 1991
  • Instituto Histórico e Geográfico do Rio Grande do Norte — documentação sobre a criação dos símbolos

Última revisão pela equipe editorial do Emblema Mundi em 5 de julho de 2026.

← Ver todos os estados do Brasil