Flag
Not available
Coat of Arms
Not available
Estado
Os símbolos do Piauí, ambos fixados de uma só vez pela Lei Estadual n.º 1.050 de 1922, contam a história de um estado moldado pelo gado, não pela cana. O brasão de armas, desenhado por Luís Mendes Ribeiro Gonçalves, coloca três palmeiras nativas acima de três peixes piau de prata — a espécie que dá nome ao estado — nadando sobre as faixas dos afluentes do Parnaíba. A bandeira, um campo de treze listras verdes e amarelas com cantão azul estrelado, recebeu em 2005 uma única data acrescentada, 13 de Março de 1823, marcando a batalha mais sangrenta da guerra de independência do Brasil — travada não no sul, mas em solo piauiense, no Jenipapo.
| Estado | Piauí (antiga Capitania de São José do Piauí, província em 1822, estado desde 15 de novembro de 1889) |
|---|---|
| Capital | Teresina (desde 1852; antes Oeiras) |
| Código | PI |
| Região | Nordeste |
| Brasão adotado | Lei Estadual n.º 1.050, de 24 de julho de 1922, desenhado por Luís Mendes Ribeiro Gonçalves sob o governador João Luís Ferreira |
| Bandeira adotada | Lei Estadual n.º 1.050, de 24 de julho de 1922; inscrição da data acrescentada pela Lei n.º 5.507, de 17 de novembro de 2005 |
| Lema do brasão | Impavidum ferient ruinae (“a ruína atingirá em vão o destemido”) |
| Batalha histórica | Batalha do Jenipapo (13 de março de 1823) — confronto mais sangrento da independência brasileira |
| Particularidade | Teresina é a única capital estadual brasileira nomeada em homenagem a uma mulher (Imperatriz Teresa Cristina) |
A Emblema Mundi ainda não tem uma imagem do brasão em arquivo para o Piauí (apenas a bandeira estadual); esta seção baseia-se inteiramente no texto heráldico documentado abaixo e deve ser lida em conjunto com reproduções oficiais.
O brasão do Piauí foi desenhado por Luís Mendes Ribeiro Gonçalves, escritor e intelectual, secretário de obras públicas, por iniciativa do governador João Luís Ferreira, e instituído pela Lei Estadual n.º 1.050, de 24 de julho de 1922. Substituiu um selo estadual mais antigo, em uso desde 1894.
O escudo é neoclássico, dividido em dois campos. O campo superior (ouro) traz três palmeiras nativas lado a lado — a carnaúba, o buriti e o babaçu — lidas pela lei como representando três fases sucessivas da colonização do estado. O campo inferior mostra sete faixas azuis sobre fundo branco, representando os principais afluentes da margem direita do rio Parnaíba, sobre as quais nadam três peixes piau de prata dispostos em triângulo, representando os três maiores rios do estado: o Parnaíba, o Canindé e o Poti. Sobre o escudo ergue-se uma estrela de prata de cinco pontas, e o conjunto é ladeado por ramos de algodão e cana-de-açúcar presos na base por uma fita azul com o lema em letras douradas Impavidum ferient ruinae e a data 24 de janeiro de 1823, marcando a adesão do Piauí à independência do Brasil.
Uma nota sobre precisão: algumas descrições em circulação — incluindo o texto anterior desta própria página — descrevem o brasão como trazendo um barrete frígio. Isso está incorreto. Nenhum barrete frígio aparece no texto legal de 1922 nem nas descrições da Wikipédia e das referências heráldicas consultadas para esta página; a confusão provavelmente toma emprestada uma peça comum a outros brasões estaduais republicanos brasileiros. O brasão também foi reproduzido, desde cerca de 2023, numa versão modernizada do governo estadual, com contornos arredondados em vez de angulares nos ramos, sem alteração da descrição heráldica de 1922 subjacente.
A colonização do Piauí seguiu um caminho diferente dos estados açucareiros do litoral a leste: foi o gado, não a cana, que atraiu os colonizadores para o interior. A partir de meados do século XVII, criadores portugueses e luso-brasileiros — muitos vindos da Bahia e de Pernambuco — avançaram pelo sertão piauiense, estabelecendo vastos currais e latifúndios trabalhados majoritariamente por vaqueiros contratados e escravizados, fornecendo carne e couro ao restante da colônia em vez de cultivar uma cultura de exportação. A Capitania de São José do Piauí foi formalmente criada em dezembro de 1718 como desmembramento da Capitania do Maranhão, ganhando governador residente próprio apenas décadas depois e administração separada completa em 1811; tornou-se província em 28 de fevereiro de 1821 e estado com a Proclamação da República em 15 de novembro de 1889.
O episódio que define a datação do brasão é a Batalha do Jenipapo, travada em 13 de março de 1823 às margens do rio Jenipapo, em Campo Maior. Mais de mil civis piauienses mal armados — vaqueiros, lavradores e combatentes indígenas empunhando foices, facões e armas de caça rudimentares —, unidos a cerca de quinhentos voluntários cearenses sob o capitão Luís Rodrigues Chaves, enfrentaram as tropas portuguesas realistas comandadas pelo major João José da Cunha Fidié. A batalha, que durou cinco horas, deixou cerca de duzentos brasileiros mortos contra dezesseis baixas portuguesas — uma derrota tática, mas que esgotou de tal forma a coluna de Fidié que suas tropas foram forçadas a se render semanas depois em Caxias, no Maranhão vizinho, encerrando o último reduto militar português no norte do Brasil. O brasão estadual comemora o movimento mais amplo de adesão com a data de 24 de janeiro de 1823, enquanto a bandeira foi posteriormente atualizada especificamente para marcar o aniversário do Jenipapo (ver Bandeira, abaixo).
O território piauiense também foi tocado, em suas margens, pela Balaiada (1838–1841), revolta popular centrada no vizinho Maranhão contra a oligarquia provincial; colunas rebeldes sob líderes como Raimundo Gomes e Manoel Francisco dos Anjos Ferreira levaram o combate ao Piauí em 1839, antes de a revolta ser reprimida. Como o epicentro político e social da revolta estava no Maranhão, ela é tratada aqui como um episódio de fronteira da história do Piauí, não como um episódio definidor.
Bandeira do Piauí — Treze listras de verde e amarelo, com cantão azul trazendo uma estrela branca e a data da Batalha do Jenipapo
A bandeira foi adotada junto com o brasão pela mesma Lei Estadual n.º 1.050, de 24 de julho de 1922, assinada pelo governador João Luís Ferreira, substituindo um desenho anterior. O texto legal especifica a bandeira na ortografia arcaica da época: “cores nacionaes verde e amarello alternadas em sete faixas da primeira e seis da segunda”, com um retângulo azul trazendo uma estrela branca no cantão superior esquerdo. O desenho permaneceu inalterado por mais de oitenta anos, até que a Lei Estadual n.º 5.507, de 17 de novembro de 2005, acrescentou um único elemento: a inscrição 13 DE MARÇO DE 1823 abaixo da estrela, comemorando a Batalha do Jenipapo (ver Brasão de Armas, acima).
A bandeira é um campo de treze listras horizontais em proporção 2:3 — sete verdes e seis amarelas, alternando a partir do topo — ecoando as cores nacionais do Brasil. No cantão superior esquerdo situa-se um retângulo azul trazendo uma estrela branca de cinco pontas, com a inscrição 13 DE MARÇO DE 1823 em letras brancas maiúsculas abaixo dela desde a emenda de 2005. A simbologia oficial, segundo as fontes consultadas, lê o amarelo como a riqueza mineral do estado, o verde como a esperança, e o azul como o céu; a estrela branca é identificada com Antares, a estrela convencionalmente atribuída ao Piauí na bandeira nacional do Brasil, marcando o lugar do estado na federação.
A bandeira é hasteada nos edifícios públicos do Piauí e preside as cerimônias oficiais do estado ao lado da bandeira nacional. Ganha maior destaque a cada 13 de março, feriado estadual que marca a Batalha do Jenipapo, quando Teresina e Campo Maior realizam comemorações cívicas para os piauienses que lutaram em 1823.
Não. Esse é um erro comum, presente inclusive em descrições desatualizadas em português. O desenho oficial de 1922, fixado pela Lei Estadual n.º 1.050, não traz barrete frígio: suas peças são três palmeiras nativas, três peixes piau, sete faixas fluviais, uma estrela de prata e um lema em latim, ladeado por ramos de algodão e cana-de-açúcar. O barrete frígio pertence ao brasão de outros estados brasileiros, não ao do Piauí.
Os três peixes piau de prata (a espécie que dá nome ao estado) representam os três principais rios do Piauí: o Parnaíba, o Canindé e o Poti. Nadam sobre sete faixas azuis que simbolizam os principais afluentes da margem direita do Parnaíba, abaixo do campo superior do escudo com as três palmeiras nativas.
Travada em 13 de março de 1823 às margens do rio Jenipapo, perto de Campo Maior, opôs mais de mil civis piauienses mal armados e cerca de quinhentos voluntários cearenses às tropas portuguesas realistas comandadas pelo major João José da Cunha Fidié. Cerca de duzentos brasileiros morreram contra dezesseis baixas portuguesas, mas a resistência esgotou de tal forma a coluna de Fidié que suas tropas se renderam semanas depois em Caxias, no Maranhão, assegurando a independência das províncias do norte do Brasil.
A bandeira foi adotada pela Lei Estadual n.º 1.050, de 24 de julho de 1922, junto com o brasão, ambos desenhados por Luís Mendes Ribeiro Gonçalves sob o governador João Luís Ferreira. Sua forma atual, com a inscrição 13 DE MARÇO DE 1823 no cantão, foi fixada pela Lei Estadual n.º 5.507, de 17 de novembro de 2005.
Teresina, fundada em 1852 para substituir a cidade do interior Oeiras, é geralmente considerada a primeira capital estadual planejada do Brasil, traçada sob o conselheiro José Antônio Saraiva com ruas paralelas entre os rios Parnaíba e Poti. É também uma das poucas capitais estaduais brasileiras sem litoral, e recebeu o nome em homenagem à Imperatriz Teresa Cristina, consorte de D. Pedro II.
Última revisão pela equipe editorial do Emblema Mundi em 5 de julho de 2026.