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Estado
Os símbolos de Pernambuco registram um estado que se rebelou mais de uma vez contra a autoridade distante. O brasão de armas, fixado pela Lei Estadual n.º 75, de 1895, mostra o farol e o forte do Recife com Olinda ao fundo, timbrado por um leão deitado e datado com quatro marcos da história combativa do estado: 1710, 1817, 1824 e 1889. A bandeira nasceu como estandarte da Revolução Pernambucana de 1817 — um arco-íris, um sol e uma cruz vermelha sobre campos azul e branco — e só se tornou símbolo oficial do estado um século depois, no centenário da revolução, em 1917.
| Estado | Pernambuco (Capitania de Pernambuco desde 1534, província em 1824, estado desde 15 de novembro de 1889) |
|---|---|
| Capital | Recife |
| Brasão adotado | Lei Estadual n.º 75, de 21 de maio de 1895, sob o governador Alexandre Barbosa Lima; representação heráldica corrigida em 1997 por Jobson Figueiredo |
| Bandeira desenhada | 1817, durante a Revolução Pernambucana, atribuída ao padre João Ribeiro Pessoa de Melo Montenegro; pintada por Antônio Alvares |
| Bandeira oficializada | Decreto Estadual n.º 459, de 23 de fevereiro de 1917; especificação técnica atual pela Lei Estadual n.º 17.139, de 28 de dezembro de 2020 |
| Elementos principais | Farol e forte do Recife, Olinda ao fundo, leão deitado (timbre), estrelas (uma por município), cana-de-açúcar, algodão, fita com quatro datas |
| Evento histórico central | Revolução Pernambucana de 6 de março de 1817 |
| Período holandês | 1630–1654 (governo de Maurício de Nassau, 1637–1644) |
| Região | Nordeste |
Brasão de Armas de Pernambuco — Farol e forte do Recife sob o sol nascente, timbrado por um leão deitado e emoldurado por cana-de-açúcar e algodão
O brasão de Pernambuco foi fixado em sua redação heráldica oficial pela Lei Estadual n.º 75, de 21 de maio de 1895, sob o governador Alexandre Barbosa Lima. Um escudo azul é bordado por uma faixa elíptica estreita carregada de estrelas, uma para cada município do estado. Dentro da elipse figura uma vista do Recife visto do norte: o farol (Farol do Recife) e o forte da barra em primeiro plano, com a cidade de Olinda visível ao fundo, e o sol nascendo sobre o mar à direita. Acima do escudo, como timbre, ergue-se um leão deitado. O conjunto é ladeado por cana-de-açúcar e um algodoeiro florido, entrelaçados, e amarrado na base por uma fita azul e branca com quatro datas: 1710, 1817, 1824 e 1889.
Nota sobre precisão: algumas descrições secundárias em circulação — incluindo o texto anterior desta própria página — descreviam o timbre como um “leão passante” (andando, dentro do escudo) e omitiam completamente a paisagem do Recife/Olinda e a fita com as quatro datas. Tanto a redação legal de 1895 quanto a representação heráldica corrigida em 1997 colocam o leão deitado como timbre acima do escudo, não andando dentro dele, e ambas incluem a vista da cidade e a fita de datas. Seguimos aqui a versão legalmente descrita e heraldicamente corrigida.
A Capitania de Pernambuco foi concedida a Duarte Coelho Pereira em 1534 e enriqueceu com o açúcar, desenvolvendo-se em torno de Olinda, sua primeira capital. Em 1630, a Companhia Neerlandesa das Índias Ocidentais invadiu a região, e de 1637 a 1644 a colônia foi governada por Maurício de Nassau, cujo governo trouxe relativa tolerância e desenvolvimento urbano ao Recife, incluindo a presença dos pintores Frans Post e Albert Eckhout. Após a saída de Nassau, a política holandesa endureceu, e senhores de engenho luso-brasileiros, junto com combatentes negros e indígenas livres — entre eles os comandantes João Fernandes Vieira, André Vidal de Negreiros, Henrique Dias e Filipe Camarão — travaram a Insurreição Pernambucana (1645–1654), culminando nas Batalhas dos Guararapes (1648–1649) e na rendição final holandesa em 1654.
As quatro datas na fita do brasão marcam episódios posteriores dessa mesma história combativa: 1710, a Guerra dos Mascates, conflito entre os senhores de engenho de Olinda e os comerciantes portugueses do Recife pelo status municipal e privilégios comerciais; 1817, a Revolução Pernambucana, levante republicano que rompeu brevemente com o domínio português (ver Bandeira, abaixo); 1824, a Confederação do Equador, movimento separatista republicano liderado por Manuel de Carvalho Paes de Andrade que se espalhou brevemente para a Paraíba e o Ceará antes de ser esmagado — e para o qual Frei Caneca foi executado em janeiro de 1825; e 1889, a Proclamação da República em todo o Brasil. O próprio Recife sucedeu Olinda como sede efetiva do governo de Pernambuco ao longo das décadas de 1820–1830, formalizando uma rivalidade que o conflito de 1710 já havia exposto.
Bandeira de Pernambuco — Arco-íris, estrela e sol sobre azul, cruz vermelha sobre branco — o estandarte da Revolução Pernambucana de 1817
A bandeira de Pernambuco não foi desenhada como símbolo estadual, mas como estandarte de uma revolução. Quando a Revolução Pernambucana eclodiu em 6 de março de 1817, os insurgentes ergueram inicialmente uma bandeira branca lisa, sinalizando intenção pacífica; um desenho mais completo, atribuído ao padre e revolucionário João Ribeiro Pessoa de Melo Montenegro e executado em tela pelo pintor Antônio Alvares, seguiu-se semanas depois, trazendo um arco-íris branco, um sol e três estrelas para Pernambuco, Paraíba e Rio Grande do Norte — as capitanias que os rebeldes esperavam ver aderir à sua república de vida curta. O desenho só foi retomado como símbolo oficial exatamente um século depois: o Decreto Estadual n.º 459, de 23 de fevereiro de 1917, assinado pelo governador Manuel Antônio Pereira Borba no centenário da revolução, fixou a bandeira substancialmente como aparece hoje, com duas das três estrelas removidas e a faixa branca do arco-íris trocada por verde. Sua especificação técnica de construção atual — proporções, grade modular e valores oficiais de cor — foi definida pela Lei Estadual n.º 17.139, de 28 de dezembro de 2020.
A bandeira divide-se horizontalmente em dois campos desiguais: um campo azul maior acima e um campo branco menor abaixo, em proporção geral de 2:3. Dentro do campo azul, um arco-íris de vermelho, amarelo e verde se estende pelo desenho; uma estrela amarela de cinco pontas fica acima dele, e um sol amarelo ocupa o semicírculo que ele forma. O campo branco abaixo traz uma cruz vermelha que ocupa toda a sua largura. No uso oficial, o azul é lido como a grandeza do céu pernambucano, o branco como a paz, o arco-íris como a união de todos os pernambucanos, a estrela como o lugar do estado na federação, o sol como a força e a energia do estado, e a cruz como a fé na justiça e no entendimento.
A bandeira é hasteada em todos os edifícios públicos estaduais, nas escolas e nos quartéis de Pernambuco. Ela ganha destaque especial nas comemorações do 6 de março, feriado estadual que celebra a Revolução Pernambucana, e já chamou atenção nacional por seu motivo de arco-íris ser por vezes confundido, fora do Brasil, com um símbolo do orgulho LGBTQ+ — uma coincidência sem relação com a origem revolucionária da bandeira em 1817.
Não. A descrição heráldica fixada pela Lei Estadual n.º 75, de 1895, coloca um leão deitado como timbre acima do escudo, não um leão passante (andando, três patas no chão) dentro dele. O leão é popularmente associado ao apelido de Pernambuco, “o Leão do Norte”, embora essa ligação seja tradição popular, não uma fonte heráldica única e documentada.
A fita azul e branca na base do escudo traz quatro datas: 1710, o ano da Guerra dos Mascates entre os senhores de engenho de Olinda e os comerciantes do Recife; 1817, a Revolução Pernambucana; 1824, a Confederação do Equador; e 1889, a Proclamação da República. Juntas, marcam a história recorrente de revoltas locais de Pernambuco contra a autoridade distante.
A bandeira nasceu durante a Revolução Pernambucana de 1817 e foi oficializada como símbolo estadual pelo Decreto Estadual n.º 459, de 23 de fevereiro de 1917, assinado pelo governador Manuel Antônio Pereira Borba no centenário da revolução. Sua especificação técnica de construção atual foi fixada pela Lei Estadual n.º 17.139, de 28 de dezembro de 2020.
A Companhia Neerlandesa das Índias Ocidentais ocupou Pernambuco a partir de 1630, com Maurício de Nassau governando a colônia de 1637 a 1644 e transformando o Recife numa capital cosmopolita. Após a saída de Nassau, senhores de engenho luso-brasileiros e combatentes negros e indígenas livres travaram a Insurreição Pernambucana (1645–1654), culminando nas Batalhas dos Guararapes (1648–1649) e na rendição holandesa em 1654.
Foi um movimento republicano e separatista que começou em 6 de março de 1817, depois que autoridades coloniais mataram um suspeito durante uma prisão, proclamando um governo republicano de vida curta no Recife. Forças portuguesas retomaram a província em 20 de maio de 1817, cerca de 75 dias depois; vários líderes foram executados por traição, e os ideais do movimento ressurgiram sete anos depois, na Confederação do Equador de 1824.
Última revisão pela equipe editorial do Emblema Mundi em 5 de julho de 2026.