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Pará — Brasão de Armas e Bandeira do Estado


O Pará é o maior estado da Região Norte e o segundo maior do Brasil em área, abrangendo mais de 1,2 milhão de km² de floresta amazônica, rios caudalosos e biodiversidade incomparável. Sua capital, Belém do Pará, fundada em 1616 como forte do Presépio, é a porta de entrada da Amazônia e abriga o célebre mercado do Ver-o-Peso, patrimônio cultural do país. A história paraense foi marcada pela Cabanagem (1835–1840), revolta popular que abalou o Império, e pelo ciclo da borracha que, entre o fim do século XIX e o início do XX, trouxe riqueza efêmera e monumentos como o Theatro da Paz. O brasão de armas e a bandeira do estado traduzem essa identidade — a estrela solitária, a águia guianense e as cores da luta e da esperança paraenses.

Em Síntese

EstadoPará (antigo Grão-Pará colonial, província em 1824, estado desde 15 de novembro de 1889)
CapitalBelém (fundada em 1616 como Santa Maria de Belém do Grão-Pará)
Brasão adotado9 de novembro de 1903, pela Lei estadual 912
Bandeira adotadaUsada de fato desde 1889–1890; projeto de lei de oficialização aprovado na Câmara em 3 de junho de 1890, mas barrado no Senado
LemaSub Lege Progrediamur (Sob a lei progridamos)
RegiãoNorte
Área1 247 955 km²
Bioma predominanteAmazônia
Brasão de armas do Pará — escudo vermelho com faixa diagonal branca, estrela solitária e águia guianense como timbre

Brasão de Armas do Pará — Estrela solitária e águia guianense sob o lema Sub Lege Progrediamur

Brasão de Armas do Pará

Descrição heráldica

O brasão do Pará foi adotado em 9 de novembro de 1903, pela Lei estadual nº 912, com desenho do arquiteto José Castro Figueiredo e do historiador e geógrafo Henrique Santa Rosa. O escudo é vermelho, cortado por uma faixa diagonal branca e carregado pela estrela solitária; sobre o escudo, como timbre, ergue-se uma águia guianense em posição de vôo.

Elementos e simbologia

  • Estrela solitária — representa o Pará como unidade da Federação; à época da Proclamação da República, era a única capital estadual situada ao norte da linha do Equador, fato também simbolizado na bandeira nacional.
  • Faixa branca — alusão à linha imaginária do Equador, que atravessa o estado.
  • Campo vermelho — remete à República e ao sangue derramado pelo povo paraense em diferentes lutas pela soberania, entre elas a Cabanagem.
  • Águia guianense — timbre sobre o escudo, representando o orgulho, a nobreza e a realeza do povo paraense.
  • Ramos de cacaueiro e seringueira — ladeiam o escudo, representando as principais produções agrícolas da época: o cacau, cultivado desde o período colonial, e a borracha (Hevea brasiliensis), cuja exploração transformou Belém em cidade opulenta na virada do século XIX para o XX.
  • Faixa com a divisa Sub Lege Progrediamur — expressão latina que significa “Sob a lei progridamos”, afirmando o compromisso do estado com a legalidade e o desenvolvimento dentro da ordem constitucional.

Contexto histórico

O território do Pará foi uma das primeiras áreas colonizadas pelos portugueses na Amazônia. Em 1616, Francisco Caldeira Castelo Branco fundou o Forte do Presépio, núcleo originário de Belém. A Capitania do Grão-Pará tornou-se a mais extensa da colônia, abrangendo toda a Amazônia portuguesa. Durante o Império, a Cabanagem (1835–1840) — revolta de índios, caboclos e negros contra a elité local — foi uma das mais sangrentas insurreições populares do Brasil, com estimativas de 30 000 a 40 000 mortos.

Na segunda metade do século XIX, o ciclo da borracha transformou o Pará. Belém ganhou bondes elétricos, o suntuoso Theatro da Paz (1878) e bairros afrancesados. Com o colapso da borracha após 1912, o estado viveu décadas de estagnação, retomando o crescimento com a mineração (Carajás) e a agropecuária no século XX.

Bandeira do Pará — campo vermelho com faixa diagonal branca e estrela azul de cinco pontas

Bandeira do Pará — Campo vermelho com faixa diagonal branca e estrela azul

Bandeira do Pará

Origem e adoção

A bandeira do Pará tem uma história legal pouco usual: nunca chegou a ser oficializada por lei de forma completa, mas é usada de fato desde 1889–1890. Seu desenho se origina do distintivo do Clube Republicano Paraense, adotado como bandeira do município de Belém em 10 de abril de 1890. Em 3 de junho de 1890, o deputado Higino Amanajás apresentou projeto de lei para torná-la a bandeira oficial do estado; o projeto foi aprovado na Câmara, mas barrado no Senado, com oposição do governador Augusto Montenegro, para quem todos os brasileiros deveriam ter apenas a bandeira nacional. Apesar de nunca ter sido plenamente formalizada, a bandeira segue em uso consuetudinário e consta hoje entre os símbolos do estado previstos na Constituição paraense.

Desenho e cores

A bandeira é composta por um campo vermelho cortado por uma faixa diagonal branca que vai do canto inferior esquerdo ao canto superior direito. Ao centro da faixa branca, uma estrela azul de cinco pontas.

  • Faixa branca — alusão à linha do Equador e ao rio Amazonas, que cortam o território paraense.
  • Campo vermelho — evoca o sangue derramado pelos cabanos na Cabanagem e nas lutas do povo paraense.
  • Estrela azul — a mesma estrela solitária do brasão, representando o Pará como a única capital estadual ao norte do Equador à época da Proclamação da República.

Uso contemporâneo

A bandeira é hasteada em todos os edifícios públicos estaduais e preside as cerimônias oficiais, especialmente durante o Círio de Nazaré — a maior procissão católica do Brasil, realizada em Belém no segundo domingo de outubro, declarada patrimônio imaterial da humanidade pela UNESCO em 2013.

Perguntas Frequentes

O que significa a estrela solitária no brasão do Pará?

A estrela solitária representa o Pará como a Estrela do Norte do Brasil, alusão à posição geográfica setentrional do estado e ao seu protagonismo na adesão à independência em 1823.

Qual é o lema inscrito no brasão do Pará?

O lema é Sub Lege Progrediamur, expressão latina que significa “Sob a lei progridamos”, afirmando o compromisso com a legalidade e o progresso.

Por que a bandeira do Pará tem uma faixa diagonal branca?

A faixa diagonal branca simboliza a linha do Equador e o rio Amazonas, que cortam o território paraense. Ela atravessa um campo vermelho, cor que evoca o sangue derramado nas lutas pela soberania, entre elas a Cabanagem de 1835, e traz ao centro uma estrela azul solitária.

O que representa a águia no brasão do Pará?

A águia guianense, usada como timbre sobre o escudo, representa o orgulho, a nobreza e a realeza do povo paraense, segundo a descrição oficial do brasão adotado em 1903.

Quando o Pará aderiu à independência do Brasil?

O Pará aderiu à independência em 15 de agosto de 1823, quase um ano após o Grito do Ipiranga, após combates em Belém. A data é celebrada como a Adesão do Pará à Independência do Brasil.

Fontes e Leitura Complementar

  • Constituição do Estado do Pará e legislação estadual sobre símbolos oficiais
  • Ricci, Magda. Cabanagem, cidadania e identidade revolucionária. Tempo, v. 11, n. 22, 2007
  • Weinstein, Barbara. A Borracha na Amazônia: Expansão e Decadência (1850–1920). São Paulo: Hucitec/Edusp, 1993
  • IBGE — Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, dados sobre o Pará
  • Arquivo Público do Estado do Pará — documentação sobre a criação dos símbolos

Última revisão pela equipe editorial do Emblema Mundi em 4 de julho de 2026.

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