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Estado
Mato Grosso do Sul é um dos estados mais jovens do Brasil, desmembrado do muito maior Mato Grosso pela Lei Complementar n.º 31, de 11 de outubro de 1977, e instalado formalmente apenas em 1.º de janeiro de 1979. Seus emblemas, ambos adotados nesse mesmo primeiro dia, são igualmente recentes: um brasão de armas cujo campo verde traz uma onça-pintada estilizada e um círculo de 55 estrelas pelos municípios fundadores do estado recém-nascido, e uma bandeira cujo desenho verde-branco-azul-dourado só ganhou sua forma final depois que o vencedor original do concurso foi publicamente desqualificado por plagiar as bandeiras do Vietnã do Norte e da Somália.
| Estado | Mato Grosso do Sul (criado em 11 de outubro de 1977, instalado em 1.º de janeiro de 1979) |
|---|---|
| Capital | Campo Grande |
| Brasão adotado | Decreto Estadual n.º 2, de 1.º de janeiro de 1979, desenhado por José Luiz de Moura Pereira |
| Bandeira adotada | Decreto Estadual n.º 1, de 1.º de janeiro de 1979 (hasteada pela primeira vez às 18h04 de 31 de dezembro de 1978), desenhada por Mauro Michael Munhoz com colegas de arquitetura da USP |
| Estrelas no escudo | 55, pelos 55 municípios fundadores do estado em 1979 (hoje são 79 municípios) |
| Região | Centro-Oeste |
| Área | 357 145 km² |
| Biomas | Pantanal, Cerrado, Mata Atlântica |
Brasão de Armas de Mato Grosso do Sul — Estrela dourada sobre uma onça-pintada passante, bordadura com 55 estrelas pelos municípios fundadores
O brasão de Mato Grosso do Sul foi desenhado por José Luiz de Moura Pereira e adotado pelo Decreto Estadual n.º 2, de 1.º de janeiro de 1979, no mesmo dia em que os poderes do novo estado foram instalados. O escudo é peninsular no contorno e dividido horizontalmente em duas seções desiguais. O terço superior (chefe) é azul e traz uma única estrela dourada de cinco pontas ao centro. Os dois terços inferiores são verdes e trazem uma onça-pintada estilizada passante, com a cabeça voltada para a destra, representada com manchas pretas na pelagem.
O escudo é envolto por uma bordadura azul debruada de prata, carregada de cinquenta e cinco estrelas de prata de cinco pontas. É ladeado por uma grinalda de um ramo de café frutificado à destra e um raminho de erva-mate florido à sinistra, presos na base. Acima do escudo, raios dourados de sol irradiam em semicírculo; as fontes divergem sobre o número exato de raios. Abaixo do escudo, uma fita em azul com letras de prata traz a inscrição 11-10-1977 (a data de criação de Mato Grosso do Sul) junto ao nome do estado.
Nota sobre precisão: a descrição em português anteriormente publicada nesta própria página descrevia o escudo como trazendo uma faixa ondulada azul (rio) e grinaldas de soja, algodão e erva-mate, sem menção a onça-pintada. A verificação independente contra o artigo da Wikipédia em português sobre o brasão, uma reportagem regional que enumera os símbolos oficiais do estado, e o próprio texto do decreto de 1979 não encontrou nem faixa de rio, nem soja, nem algodão no brasão — a peça central correta no campo verde é a onça-pintada estilizada passante descrita acima, ladeada por café e erva-mate (não soja e algodão). Esse texto anterior foi substituído aqui pelo blasonamento documentado acima.
A divisão do antigo Mato Grosso era debatida havia décadas antes de acontecer: as elites da metade sul do território há muito reclamavam do descaso da distante capital do norte, Cuiabá. O movimento divisionista ganhou impulso decisivo em meados dos anos 1970, sob o governo militar do presidente Ernesto Geisel, que sancionou a Lei Complementar n.º 31, de 11 de outubro de 1977, criando Mato Grosso do Sul com capital em Campo Grande. De forma incomum para um estado brasileiro, a data de criação da lei e a data em que suas instituições realmente começaram a funcionar não coincidem: os deputados estaduais (inicialmente reunidos como assembleia constituinte) foram eleitos em 15 de novembro de 1978, e os poderes do novo estado só foram formalmente instalados em 1.º de janeiro de 1979, quando Harry Amorim Costa tomou posse como primeiro governador. Tanto o brasão quanto a bandeira foram adotados por decreto nesse mesmo dia inaugural, tornando os símbolos cívicos de Mato Grosso do Sul essencialmente contemporâneos ao próprio nascimento do estado como governo em funcionamento, e não produtos de um processo de criação posterior e separado, como em muitos estados brasileiros mais antigos.
Bandeira de Mato Grosso do Sul — Faixa diagonal branca entre campos verde e azul, com estrela dourada — o desenho sobrevivente de um concurso marcado por um escândalo de plágio
Pouco depois da criação do estado, em outubro de 1977, as novas autoridades lançaram um concurso público nacional para escolher os símbolos oficiais de Mato Grosso do Sul, incluindo a bandeira. Apesar de atrasos logísticos que adiaram o prazo original de 31 de outubro de 1978, o concurso reuniu 816 desenhos submetidos. O desenho inicialmente classificado em primeiro lugar pelo júri foi desqualificado em 21 de novembro de 1978, depois de ser identificado, nas palavras do próprio júri, como plágio das bandeiras do Vietnã do Norte e da Somália, alterado apenas nas cores.
O desenho realmente adotado havia ficado em segundo lugar no concurso. Foi criado por Mauro Michael Munhoz, então estudante do segundo ano de arquitetura na Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo (FAU-USP), junto com colegas, entre eles Vera Domschke e Alex Flemming, que trabalharam na submissão a partir de um ateliê compartilhado no bairro paulistano do Bexiga. A bandeira foi formalmente instituída pelo Decreto Estadual n.º 1, de 1.º de janeiro de 1979, e foi hasteada pela primeira vez às 18h04 de 31 de dezembro de 1978, antes da instalação oficial do estado.
A bandeira é um retângulo em proporção 7:10. Uma faixa diagonal branca, com duas unidades de largura, sobe em ângulo de 45 graus a partir do canto inferior da tralha, dividindo o campo num triângulo verde superior e num triângulo azul inferior. Uma estrela dourada de cinco pontas situa-se no canto inferior do batente. Segundo a simbologia que o próprio desenhista atribuiu à bandeira, o verde representa “a riqueza das matas e dos campos” e manifesta uma consciência para a preservação da riqueza natural; o branco representa a paz e a amizade serena entre os povos; o azul evoca o céu e a esperança da população; e a estrela dourada representa “a riqueza do nosso trabalho”, expressando equilíbrio, firmeza e serenidade — as qualidades que Munhoz disse pretender transmitir com toda a composição.
O desenho adotado não foi, no entanto, exatamente o que os estudantes submeteram inicialmente. A proposta original deles usava uma faixa ocre no campo inferior, em vez de azul, para evocar a terra roxa avermelhada valorizada pela agricultura da região. Antes da adoção formal da bandeira, as autoridades da época substituíram o ocre pelo azul — mudança que Munhoz e seus colaboradores protestaram publicamente na época, sem sucesso, e que também alterou a descrição oficial da simbologia da bandeira em relação ao que os estudantes haviam originalmente escrito.
Antes da bandeira de 1979, o futuro estado já hasteava dois pavilhões não oficiais durante seu breve período de transição como unidade federativa ainda não instalada: uma bandeira verde com uma faixa horizontal branca trazendo a inscrição “Estado de Mato Grosso do Sul”, e uma bandeira azul-clara com uma faixa central branca e cinco estrelas representando o Cruzeiro do Sul, inscrita “Estado de Campo Grande” — um nome alternativo então cogitado para o novo estado. A bandeira de 1979 que acabou prevalecendo hoje é hasteada nos edifícios públicos de Mato Grosso do Sul e exibida em cerimônias oficiais ao lado da bandeira nacional, inclusive nas comemorações cívicas anuais de 11 de outubro, data de criação do estado.
A estrela dourada de cinco pontas simboliza o estado como unidade da federação e evoca a posição de Mato Grosso do Sul como astro emergente no cenário nacional, sendo o mais jovem estado brasileiro à época de sua criação em 1977.
O estado foi criado pela Lei Complementar n.º 31, de 11 de outubro de 1977, por desmembramento da porção sul do antigo estado de Mato Grosso, e instalado oficialmente em 1.º de janeiro de 1979.
A onça-pintada estilizada passante, mostrada em campo verde com a cabeça voltada para a destra, representa a fauna nativa das áreas úmidas do estado, sobretudo o Pantanal, a maior planície alagável tropical do mundo, que se estende em boa parte por Mato Grosso do Sul.
As 55 estrelas de prata na bordadura do escudo representavam os 55 municípios que compunham Mato Grosso do Sul no momento em que o brasão foi desenhado, em 1979. O estado cresceu desde então para 79 municípios por meio de novos desmembramentos, mas o brasão, adotado pelo Decreto Estadual n.º 2, de 1.º de janeiro de 1979, não foi redesenhado para refletir a mudança.
Sim. No concurso público de 1978 para escolher a bandeira do novo estado, o desenho classificado em primeiro lugar pelo júri revelou-se uma quase cópia das bandeiras do Vietnã do Norte e da Somália, com apenas as cores alteradas, e foi desqualificado. O desenho realmente adotado, pelo Decreto Estadual n.º 1, de 1.º de janeiro de 1979, era o segundo colocado, submetido por um grupo de estudantes de arquitetura da Universidade de São Paulo liderado por Mauro Michael Munhoz.
O desenho vencedor dos estudantes usava uma faixa ocre no campo inferior, para evocar a terra avermelhada da região. Antes da adoção oficial da bandeira, as autoridades da época substituíram o ocre pelo azul. Munhoz e seus colaboradores protestaram contra a mudança, mas foi a versão azul, não o desenho original deles, que acabou sendo instituída por decreto.
Última revisão pela equipe editorial do Emblema Mundi em 5 de julho de 2026.