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A bandeira de Portugal é verde e vermelha desde 1910, mas o escudo que leva ao centro é muito mais antigo: as cinco quinas, confirmadas desde o reinado de D. Sancho I, a bordadura de castelos de D. Afonso III e a forma fixada por D. João II em 1485. A esfera armilar, emblema de D. Manuel I, completa as armas da República. Esta página segue a evolução das bandeiras e das armas, da bandeira armorial medieval à bandeira de 1910.
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| Bandeira | Bipartida de verde e vermelho, com as armas sobre a esfera armilar |
|---|---|
| Escudo | De prata, cinco quinas de azul em cruz; bordadura de vermelho com sete castelos de ouro |
| Esfera armilar | Emblema de D. Manuel I, nas armas desde 1910 |
| Desenho | Columbano Bordalo Pinheiro, 1910 |
| Adoção | 1 de dezembro de 1910; decreto de 19 de junho de 1911 |
A bandeira portuguesa passou por três padrões: a bandeira armorial, que reproduzia o próprio escudo, a bandeira de campo branco com as armas reais e, a partir de 1830, uma bandeira com cores próprias, primeiro azul e branca, depois verde e vermelha. Estas são as suas etapas, de D. Sancho I à República.
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1185
Durante séculos, a bandeira de Portugal foi uma bandeira armorial: o pano reproduzia o campo do escudo das armas reais. As cinco quinas de azul semeadas de besantes de prata, em campo de prata, só estão confirmadas a partir do reinado de D. Sancho I (1185-1211); os escudetes laterais apareciam então deitados e apontados ao do centro. Os modelos de bandeiras anteriores ao século XIV são reconstituições, sem documentos da época que os confirmem.
1248
Ao subir ao trono, D. Afonso III manteve as armas que já usava como infante: as quinas rodeadas por uma bordadura de vermelho semeada de castelos de ouro. Segundo o uso heráldico da época, os infantes diferenciavam as armas reais com elementos das armas da mãe, e os castelos viriam de D. Urraca de Castela. A tradição prefere ver neles o Algarve, cuja reconquista D. Afonso III concluiu em 1249.

1385
D. João I, mestre da Ordem de Avis, manteve as armas da dinastia anterior, sinal de que já eram vistas como armas do Reino e não apenas do rei. Acrescentou-lhes a cruz de Avis, uma cruz florida de verde; na forma mais usada, as suas quatro pontas em flor de lis ficavam na bordadura, entre os castelos. Entre 1385 e 1485, o verde esteve assim presente nas armas e na bandeira de Portugal.
1485
Em 1485, depois de um longo debate, D. João II mandou corrigir o escudo segundo as regras da boa heráldica: as quinas laterais passaram a estar direitas, porque deitadas podiam ser lidas como sinal de bastardia, e a cruz de Avis foi retirada. O número de castelos continuava variável, sete ou oito; nas bandeiras eram sobretudo oito.

1578
No final do século XVI, a bandeira deixou de ser a quadratura do escudo: passou a ter um campo branco, a cor neutra por excelência, com as armas de Portugal ao centro, no recorte próprio do escudo e encimadas pela coroa real. A mudança acompanha o gosto renascentista pela representação naturalista. Durante a União Ibérica (1580-1640) continuaram a usar-se as armas singelas de Portugal.

1667
O modelo de campo branco manteve-se; o que mudou foi a coroa. Fechada com um único arco no reinado de D. Sebastião e com dois no século XVII, a coroa real passou a ter quatro arcos no reinado de D. Pedro II, regente desde 1667 e rei de 1683 a 1706. A coroa de dois arcos ficou para o príncipe herdeiro.

1707
Até ao século XIX, as armas desta bandeira não mudaram de ordenamento; só evoluíram a coroa e o estilo do escudo, ao gosto de cada época. A bandeira com as armas reais era reservada ao rei e ao Estado, e o seu uso por particulares foi proibido em 1692. Os navios mercantes arvoravam a «bandeira da Esfera», também branca, mas com uma esfera armilar no lugar das armas. No final do século XVIII, as restrições diminuíram e a bandeira das armas reais tornou-se uma verdadeira bandeira nacional.

1816
Com a criação do Reino Unido de Portugal, Brasil e Algarves, o Brasil tinha de figurar nas armas: as quinas já representavam Portugal e a bordadura de castelos o Algarve. Como a esfera armilar era sobretudo usada no Brasil, nas moedas ali cunhadas, as armas do Reino do Brasil passaram a ser uma esfera armilar de ouro em campo de azul, e o escudo de Portugal assentou sobre ela. A bandeira manteve o campo branco, agora com estas armas.

1826
Depois da morte de D. João VI, em 1826, a esfera armilar foi retirada e as armas voltaram ao modelo anterior. A bandeira de campo branco com as armas reais coroadas continuou em uso até à adoção do azul e branco.

1830
Em 1830, o campo da bandeira deixou de ser branco e passou a ter cores com simbolismo próprio. As Cortes de 1820 recusaram as cores da libré da Casa Real como cores nacionais e escolheram a proposta do deputado Francisco Trigoso, para quem o azul e o branco eram as cores emblemáticas da nação desde a fundação: o azul dos escudetes e a prata dos besantes das quinas. O laço nacional azul e branco foi aprovado em 1821; a bandeira, adotada pelos liberais em 1830, só passou a ser usada em todo o país depois do fim da guerra civil, em 1834.

1910
Bipartida verticalmente, verde do lado da tralha e vermelho do lado do batente, o verde a ocupar dois quintos do comprimento; ao centro, sobre a divisória, o escudo de Portugal orlado de branco, assente na esfera armilar manuelina. O desenho é do pintor Columbano Bordalo Pinheiro, membro da comissão nomeada a 15 de outubro de 1910. O verde e o vermelho eram as cores dos republicanos, já içadas na revolta de 31 de janeiro de 1891; o relatório da comissão não lhes deu um significado nacional, mas chamou ao vermelho «a cor combativa, quente, viril por excelência». A bandeira foi apresentada a 1 de dezembro de 1910 e confirmada pelo decreto de 19 de junho de 1911.
O escudo das quinas é o elemento mais constante dos símbolos portugueses. Formou-se em cerca de três séculos, entre o século XII e o século XVI, e desde então só lhe mudaram os ornatos exteriores: a coroa, os tenentes, a esfera armilar. Estas são as suas etapas, do escudo de D. Sancho I às armas da República.
Clique nas miniaturas para percorrer os escudos.

1185
De prata, cinco escudetes de azul postos em cruz, semeados de besantes de prata, os escudetes laterais deitados e apontados ao centro.
São as primeiras armas de Portugal cuja existência está confirmada, gravadas nos morabitinos de D. Sancho I. A sua origem é desconhecida. A explicação mais antiga, na Crónica Geral de Espanha de D. Pedro Afonso, conde de Barcelos (1344), liga-as à batalha de Ourique: cinco escudos pelos cinco reis mouros vencidos, postos em cruz, e em cada um os dinheiros por que Judas vendeu Cristo. Camões vê nos escudetes as cinco chagas de Cristo. Uma teoria bem aceite entre os heraldistas é mais prosaica: o escudo de D. Afonso Henriques teria uma cruz de tiras de couro azul pregadas; arrancadas em combate, restariam cinco pedaços e as cabeças dos pregos.

1248
De prata, cinco escudetes de azul postos em cruz, semeados de besantes de prata; bordadura de vermelho semeada de castelos de ouro.
A bordadura era uma diferença: D. Afonso III, ainda infante, não podia usar as armas plenas, reservadas ao rei seu irmão, e juntou-lhes os castelos de ouro em campo de vermelho das armas de sua mãe, D. Urraca de Castela. Rei, manteve-as. O escudo sem bordadura, o «escudo de Portugal antigo», passou a marcar os filhos bastardos dos reis. No reinado de D. Dinis, os besantes fixaram-se em cinco por escudete, postos em aspa, e os escudetes ganharam o nome popular de «quinas», pela semelhança com a face cinco de um dado.

1385
De prata, cinco escudetes de azul postos em cruz, cada um carregado de cinco besantes de prata postos em aspa; bordadura de vermelho carregada de castelos de ouro e das quatro pontas floridas de verde da cruz de Avis.
D. João I, mestre de Avis, juntou às armas reais o emblema da sua ordem, uma cruz florida de verde. Fê-lo de três maneiras: com a cruz por baixo do escudo, a forma considerada mais correta; com as quatro pontas na bordadura, entre os castelos, a mais usada; ou com as pontas sobre o campo e a bordadura, a mais rara.

1485
De prata, cinco escudetes de azul postos em cruz, cada um carregado de cinco besantes de prata postos em aspa; bordadura de vermelho carregada de sete castelos de ouro.
Em 1485, D. João II deu ao escudo a ordenação que ainda hoje tem: quinas laterais direitas, sem a cruz de Avis. Só faltava fixar os castelos, sete ou oito ao longo do século XVI, conforme a forma do escudo; no final desse século ficaram sete. Fora do escudo, a coroa real, presente em quase todas as representações a partir de D. Manuel I, era acompanhada de anjos como tenentes e de uma serpe de ouro como timbre, provavelmente ligada a São Jorge, padroeiro de Portugal.

1816
O escudo de Portugal assente sobre uma esfera armilar de ouro em campo de azul, encimado pela coroa real.
A esfera armilar era o emblema pessoal de D. Manuel I, atribuído por D. João II em 1484, quando o fez duque de Beja, com o mote Spera in Deo e fac bonitatem. Tornou-se depois um emblema do império ultramarino, frequente nas moedas cunhadas no Brasil. Com o Reino Unido, passou pela primeira vez a fazer parte das armas nacionais, como armas do Brasil. Os heraldistas discutem ainda se a esfera estava num escudo redondo de azul ou se era um ornato exterior. Foi retirada em 1826.

1834
O escudo de Portugal timbrado da coroa real, rodeado de dois ramos de louro.
Desde o século XVI até 1910, a coroa real esteve presente em praticamente todas as representações das armas, e desde D. Pedro II tinha quatro arcos. Na monarquia constitucional, esta versão com ramos de louro era a de uso corrente, nas moedas e nos documentos oficiais; as armas pessoais do rei distinguiam-se por um manto de púrpura forrado de arminho. São estas armas coroadas que a República substituiu em 1910.

1910
De prata, cinco escudetes de azul postos em cruz, cada um carregado de cinco besantes de prata postos em aspa; bordadura de vermelho carregada de sete castelos de ouro; o escudo assente sobre uma esfera armilar de ouro, rodeada por dois ramos de louro do mesmo, atados por um laço.
A República manteve o escudo tradicional, retirou a coroa e assentou o escudo numa esfera armilar, agora claramente uma peça exterior, que já não representa o Brasil mas, segundo o relatório da comissão, «o génio aventureiro» e a expansão marítima dos Portugueses. A esfera de 1910 mostra um só meridiano central visível, e não cinco como em 1816. São descritas em pormenor mais abaixo.
Armas de Portugal — o modelo de 1910, confirmado em 1911.
Escudo de prata, com cinco quinas — escudetes de azul, cada qual com cinco besantes de prata postos em aspa — postas em cruz, bordadura de vermelho carregada de sete castelos de ouro; o escudo sobreposto a uma esfera armilar de ouro, rodeada por dois ramos de loureiro do mesmo, atados por um laço.
Na bandeira, o ouro e a prata são descritos como amarelo e branco, e o escudo leva uma orla branca que não faz parte do seu ordenamento heráldico. A esfera desenhada por Columbano, em perspetiva, tem seis arcos: a eclíptica, o equador e dois meridianos, que são círculos máximos, e os dois trópicos.
Em 1911 foram definidas três versões das armas. A mais simples, só o escudo sobre a esfera, é a da bandeira nacional e do jaque. A segunda junta os ramos de louro e um laço branco com o verso de Camões «Esta é a ditosa Pátria minha amada», para os estandartes das unidades militares. A terceira, com o laço sem inscrição, normalmente pintado de verde e vermelho, servia para selos, moedas e emblemas oficiais.
São o único elemento sem significado especificamente nacional: remetem para as coroas de louros romanas, sinal de vitória e de glória, e o relatório de 1910 chama-lhes apenas «símbolo triunfal». Em algumas representações aparecem a verde em vez de ouro, ou um deles é trocado por um ramo de carvalho.
Porque eram as cores dos republicanos, já içadas na revolta de 31 de janeiro de 1891 e no 5 de outubro de 1910. O relatório da comissão de 1910 não lhes deu um significado nacional; a leitura hoje mais corrente, o verde da esperança e o vermelho do sangue dos que morreram por Portugal, surgiu durante o Estado Novo.
Ninguém sabe ao certo. A explicação mais antiga, de 1344, liga-as à batalha de Ourique: os cinco reis mouros vencidos, postos em cruz, e os dinheiros de Judas nos besantes. Camões vê nelas as cinco chagas de Cristo. Uma teoria aceite entre os heraldistas fala de uma cruz de couro azul pregada no escudo de D. Afonso Henriques, de que restariam cinco pedaços.
A tradição diz que representam o Algarve, conquistado por D. Afonso III em 1249. A explicação hoje mais aceite é que vêm das armas de sua mãe, D. Urraca de Castela, como diferença que o infante juntou às armas reais. O número só ficou fixado em sete no final do século XVI.
Um instrumento astronómico que D. João II deu como emblema ao futuro D. Manuel I em 1484. Tornou-se símbolo do império ultramarino, figurou nas armas do Reino Unido com o Brasil de 1816 a 1826 e voltou com a República, como imagem da expansão marítima.
Porque a República retirou-a em 1910. Desde o século XVI, a coroa real estava presente em quase todas as representações das armas; a República manteve o escudo e substituiu a coroa pela esfera armilar.
Foi apresentada ao país a 1 de dezembro de 1910 e confirmada pelo decreto da Assembleia Nacional Constituinte de 19 de junho de 1911. O desenho é de Columbano Bordalo Pinheiro.
A bandeira azul e branca, com as armas reais coroadas ao centro, adotada em 1830. O azul e o branco eram as cores das quinas, aprovadas como cores nacionais em 1821. Antes disso, a bandeira tinha um campo branco com as armas reais, e na Idade Média reproduzia o próprio escudo.
Ilustrações: Wikimedia Commons. Bandeiras medievais © Nuno Tavares e Giro720; bandeiras de 1707, 1816, 1826 e 1830 © 117-M-I-K-E, com elementos de Sodacan; escudos de 1185, 1248 e 1385 © Bragancinho; escudo de 1485 e armas de 1816 e 1834 © autores da Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0). Bandeiras de 1578 e 1667, bandeira e armas atuais: domínio público.
Última revisão pela equipa editorial do Emblema Mundi a 3 de outubro de 2026.